Minneapolis, cidade que se tornou símbolo da luta contra o racismo após o assassinato de George Floyd em 2020, volta a enfrentar fortes protestos. Manifestantes se concentram nas proximidades da arena do Minnesota Timberwolves contra a presença do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e a atuação violenta de agentes federais.
Os atos já provocam impacto direto no calendário da NBA e colocam em evidência a relação entre esporte e questões sociais. A nova onda de manifestações ocorre no mesmo local onde, quatro anos antes, a morte de George Floyd paralisou ligas, levou atletas a protestar e impulsionou mudanças internas em clubes e federações.
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Compromissos assumidos pelo esporte
Após 2020, organizações esportivas mundiais oficializaram políticas de direitos humanos. O Comitê Olímpico Internacional (COI) incluiu o tema na Agenda Olímpica 2020+5, cobrindo obrigações que vão além da competição e alcançam trabalhadores, comunidades e liberdade de expressão. Já a FIFA adotou Política de Direitos Humanos alinhada aos Princípios Orientadores da ONU, compromisso reforçado no artigo 3º de seu Estatuto, que determina a proteção de direitos internacionalmente reconhecidos no futebol.
Essas diretrizes impõem às entidades deveres como avaliar riscos, prevenir abusos e agir diante de violações – especialmente em temas ligados a segurança pública, discriminação e repressão a protestos.
Estados Unidos sob escrutínio antes de Copa e Jogos Olímpicos
O país receberá a Copa do Mundo de 2026 e os Jogos Olímpicos de 2028. A realização de dois megaeventos coloca os EUA sob holofotes quanto à coerência entre compromissos assumidos e a realidade de tensão racial e migratória. Violência estatal recorrente e repressão a manifestações podem afetar logística, segurança e imagem dos torneios.
Quando protestos levam ao adiamento de partidas, cercam arenas e pressionam atletas a se pronunciar, fica claro que o esporte não consegue se dissociar do contexto social. O cenário em Minneapolis reforça a expectativa de que ligas, clubes e federações cumpram as obrigações que elas próprias formalizaram.
Para especialistas em direito esportivo, o discurso de neutralidade perdeu força. Segundo eles, o silêncio das instituições também comunica e pode gerar questionamentos sobre a efetividade dos compromissos públicos firmados após 2020.


