No dia 02 de julho de 2016, Lionel Messi anunciou sua aposentadoria da seleção argentina após perder a final da Copa América para o Chile, onde desperdiçou um pênalti. Naquela ocasião, parecia que o craque carregaria para sempre o peso de não conseguir replicar o sucesso do Barcelona com a camisa da seleção. No entanto, dez anos depois, a história se transformou radicalmente.
Hoje, Messi é bicampeão da Copa América, campeão da Copa do Mundo e detentor de diversos recordes, passando de alvo de críticas a um ícone comparado a Diego Maradona na Argentina. Segundo o jornalista argentino Ezequiel Fernández Moores, essa transformação começou com a conquista da Copa América em 2021, no Maracanã, que quebrou um jejum de 28 anos da seleção e retirou de Messi a pressão de nunca ter conquistado um grande torneio.
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– O que mudou essencialmente foi o título. Quando Messi ganhou a Copa América, foi como um alívio completo. Ele chegou àquela competição já mais leve em relação ao peso da responsabilidade – afirmou Moores.
Antes de 2016, a trajetória de Messi com a seleção era marcada por frustrações, incluindo eliminações nas quartas de final das Copas do Mundo de 2006 e 2010, e a derrota na final de 2014 para a Alemanha. Além disso, ele foi vice-campeão da Copa América em 2015 e 2016, ambas contra o Chile. Após o último revés, Messi declarou que o ciclo na seleção havia terminado para ele.
– No vestiário, pensei que acabou para mim a seleção. É uma tristeza grande que volto a sentir. Foram quatro finais, infelizmente não consegui. Era o que mais desejava – lamentou Messi na época.
O panorama mudou com a chegada de Lionel Scaloni ao comando da seleção. Antes do novo treinador, Messi disputou quatro Copas do Mundo, com 19 jogos e apenas seis gols. Com Scaloni, em duas Copas, ele jogou 10 vezes e marcou 13 gols. Moores acredita que a mudança foi mais psicológica do que técnica, destacando que Messi agora vive um momento de libertação em campo.
– Ele entra em campo e faz gol. Tudo aquilo que antes era frustração desapareceu. Agora, ele chuta e a bola entra – analisou.
A importância de Scaloni é reconhecida, mas Moores ressalta que a seleção sempre buscou jogar em função de Messi. O grande mérito do atual treinador foi montar um time sólido, onde o craque não carrega sozinho todas as responsabilidades. O ambiente criado por Scaloni permitiu que Messi encontrasse uma equipe comprometida coletivamente, com um objetivo comum: conquistar títulos por ele.
Na visão de Moores, esse espírito continua na atual Copa do Mundo, onde há uma percepção de que esta pode ser a última chance de Messi. A sequência de títulos mudou a percepção do craque na Argentina, que antes era comparado de forma desfavorável a Maradona. Hoje, as comparações são mais equilibradas.
– A comparação com Maradona é inevitável, mas cada um tem sua trajetória. Messi conquistou a Copa aos 35 anos, enquanto Maradona fez isso aos 25 – finalizou Moores.



