O chefe da McLaren, Andrea Stella, solicitou que a Fórmula 1 aprove, antes da abertura da temporada em 8 de março, ajustes emergenciais nas regras das unidades de potência que passarão a vigorar em 2026. Segundo o dirigente, três pontos – largada, gestão de energia e ultrapassagens – precisam de correções já para garantir segurança e manter o espetáculo nas pistas.
Preocupação com a largada
Nos testes de pré-temporada no Bahrein, equipes perceberam que o novo procedimento de partida, que exige usar o motor V6 para acionar o turbocompressor, tem provocado atrasos de mais de 10 segundos até que o impulso atinja o nível ideal. Um erro mínimo pode ativar o anti-stall ou gerar uma saída lenta, situação vivenciada por Franco Colapinto (Alpine) na última sexta-feira. Para Stella, ampliar a janela de tempo para a montagem do giro do turbo é fundamental: “O grid não é lugar para demora. É uma questão de segurança, não de competição”, afirmou.
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Ultrapassagens mais difíceis
A retirada do DRS e a adoção da aerodinâmica ativa, que permite a todos os carros achatarem asas em trechos predeterminados, reduziram a diferença de arrasto entre perseguidor e perseguido. “Agora, quem vem atrás tem o mesmo arrasto e a mesma potência. Nossos pilotos testaram no Bahrein e acharam extremamente difícil ultrapassar”, relatou o chefe da McLaren.
O boost mode, introduzido para compensar a falta do DRS, pouco ajuda porque os monopostos esgotam a bateria cedo. Uma alternativa estudada é diminuir a potência elétrica máxima em corrida, hoje fixada em 350 kW, o que retardaria o fim da energia e ampliaria o efeito do modo de impulso.
Risco de aproximação em alta velocidade
Com as atuais limitações energéticas, pilotos recorrem ao lift and coast – levantar o pé antes das curvas para recarregar bateria –, criando diferenças de velocidade perigosas. Stella lembrou acidentes como o de Mark Webber em Valência-2010 e alertou para a repetição de cenários semelhantes.
Uma proposta é elevar o limite de superclipping (recuperação de energia ainda com acelerador pleno) de 250 kW para 350 kW, garantindo mais carga elétrica sem exigir manobras arriscadas.
Decisão na próxima semana
As sugestões serão discutidas na reunião da Comissão de F1, que reúne FIA, FOM e as 11 equipes, marcada para a próxima quarta-feira. Caso não haja consenso, a federação pode impor mudanças por motivo de segurança. “Trata-se de três pontos simples: largadas, ultrapassagens e evitar o lift and coast. As soluções existem e são urgentes”, concluiu Stella.


