Os bastidores do Grande Prêmio de São Paulo se transformaram em um quebra-cabeça logístico para a Fórmula 1. Equipamentos valiosos – carros, motores e cerca de oito toneladas de material de transmissão – chegam ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e seguem escoltados até Interlagos. Painéis de garagem e itens de menor custo viajam de navio, como ocorre em todas as etapas fora da Europa.
Distância, calendário apertado e metas verdes
A posição geográfica do Brasil, distante das demais corridas, e o calendário inflado da categoria complicam o encaixe da prova paulista. A busca da F1 por reduzir emissões de carbono, meta fixada para 2030, torna o planejamento ainda mais delicado.
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Nos últimos anos, o GP alternou entre ficar isolado no cronograma e integrar rodadas triplas – três corridas em três fins de semana consecutivos. Em 2025, a etapa brasileira não terá “vizinhas”: ocorrerá cerca de duas semanas depois do México e duas antes de Las Vegas. Já em 2026, será a terceira perna de uma sequência iniciada em Austin, seguida pela Cidade do México.
Três corridas seguidas ou viagens extras?
Para Paul Fowler, vice-presidente de automobilismo da DHL – parceira logística da F1 –, não há fórmula ideal. “Com uma semana de folga, todo mundo volta para casa, mas acrescenta dois voos intercontinentais. Com rodadas triplas, reduzimos esse deslocamento, porém aumentamos o desgaste”, explicou ao UOL Esporte.
Independentemente do formato, os carros seguem do México para o Brasil e, depois, para Las Vegas. Há três carregamentos marítimos fixos: um sai de Austin para Las Vegas, outro atende o México e o terceiro vem para o Brasil. Ao longo de uma temporada com 24 corridas, a DHL opera de cinco a seis remessas marítimas.
Estrutura dividida em três equipes
A empresa mantém grupos distintos para montagem, operação de pista e desmontagem. Cada funcionário pode optar por não viajar para três provas por ano, estratégia adotada também por várias escuderias.
Risco comprovado em 2021
O aperto no cronograma já provocou sustos. Em 2021, três aviões Boeing 777, com carga que pesava além do permitido para decolagem em meio à neblina na Cidade do México, atrasaram a saída. A solução foi voar até Miami para reabastecer e pousar em São Paulo apenas na quinta-feira, um dia depois do previsto. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) precisou estender o toque de recolher nos boxes por força maior.
Possível mudança de data
Nos boxes circula a ideia de deslocar o GP brasileiro para o início do campeonato, hipótese que esbarra no início tradicional no Oriente Médio e nas datas do ramadã. O CEO do GP de São Paulo, Alan Adler, afirmou que a organização está “aberta a melhorar a experiência” e avalia adaptações no calendário da cidade, caso a F1 solicite.
Por enquanto, equipes e logística seguem equilibrando custos, sustentabilidade e prazos apertados para manter a etapa paulista no mapa da categoria.


