A convocação de Neymar divide opiniões e preocupa a torcida brasileira. Afastado há um mês por contusão, o craque pode estrear apenas na fase final dos grupos, se recuperar a tempo.
O Brasil chegou à Copa do Mundo sem um time definido, mas conta com bons jogadores no elenco e ainda possui tempo para que as peças se encaixem. Milagres acontecem em Mundiais, e a torcida espera por dias melhores. Porém, a convocação de Neymar gera um triste espetáculo, que não terá solução.
📖 Leia Também
Neymar não tem se destacado nas raras oportunidades em que atuou no Campeonato Brasileiro e volta à seleção em uma situação ainda mais delicada. Contundido, ele se encontra afastado dos gramados há um mês. A expectativa é que, se tudo correr bem, ele possa entrar em campo no último jogo da fase de grupos, embora a possibilidade mais realista seja que isso ocorra apenas nas fases decisivas do torneio. Mesmo assim, seria apenas por alguns minutos, e o desafio de ganhar ritmo de competição em meio a uma disputa acirrada é imenso, especialmente considerando que Neymar nunca se destacou pela disciplina e dedicação.
O tom farsesco dessa história se intensificou na terça-feira, 16. Com o aumento das cobranças sobre a falta de transparência a respeito do estado de saúde do jogador, houve uma clara tentativa de mudar o foco da mídia negativa. Neymar reapareceu no gramado, calçando tênis e fazendo embaixadinhas. Contudo, nem o torcedor mais ingênuo vibrou com a cena, que se tornou ainda mais deprimente ao ser contrastada com os espetáculos proporcionados por craques como Messi, Haaland e Mbappé em suas seleções. A comparação entre o Neymar das embaixadinhas e esses talentos ressalta a distância entre o Brasil e times como Argentina e França.
Ironicamente, no mesmo dia do “retorno” de Neymar, circularam notícias sobre um escândalo envolvendo o presidente da CBF, Samir Xaud. O jornalista Léo Dias revelou um suposto caso extraconjugal, no qual uma das mulheres envolvidas teria tido sua viagem aos Estados Unidos bancada pelos cofres da entidade. A CBF negou as acusações, mas o estrago já estava feito. Xaud, que costumava ser uma presença constante nos eventos relacionados à seleção, desapareceu após o vexame público.
A coincidência entre as embaixadinhas de Neymar e o escândalo envolvendo Samir é emblemática do que se tornou a seleção brasileira. De um lado, um cartola que se tornou conhecido após ser escolhido presidente da CBF por um conchavo de dirigentes, após a batalha judicial que afastou o antecessor, também desconhecido, sem qualquer contribuição significativa ao esporte do país. Essa bagunça contribui para a convocação de um ídolo na atual condição de Neymar.
Faltou apenas uma trilha sonora de Rocky Balboa para criar a sensação de que as corridinhas de tênis no gramado seriam o início de uma recuperação. Funciona em Hollywood, mas é improvável que funcione na vida real. Essa convocação não beneficia a imagem de Neymar, que parece não se importar com isso — ou talvez se preocupe somente se isso afetar sua lucrativa máquina de publicidade.
Nem todo esforço de relações públicas e tentativa de mudar de assunto conseguirão apagar o que ocorreu na terça-feira, 16, o dia infame para o futebol brasileiro na Copa.

