A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo determinou que o Sport Club Corinthians Paulista detalhe divergências encontradas em sua receita de fevereiro de 2026 e alertou para a possibilidade de nomeação de um observador ou até de um interventor judicial caso as inconsistências persistam.
Diferença de R$ 149 milhões
Relatório da administradora judicial aponta uma diferença de aproximadamente R$ 149 milhões entre os valores apresentados pelo clube e os montantes verificados. O despacho, publicado na quarta-feira (25.mar.2026), exige que o Corinthians apresente documentação complementar e esclareça a origem dos números.
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O juiz responsável afirmou que a resistência no fornecimento de informações poderá levar à intervenção direta na gestão, medida considerada uma das mais rigorosas desde a adoção do Regime Centralizado de Execuções (RCE), no início do ano.
Posicionamento do clube
Em nota oficial, o Corinthians declarou que protocolos anteriores já haviam detalhado os dados questionados. Segundo o clube, às 21h41 de 24 de março foram anexadas aos autos explicações sobre a composição das receitas, diferenciando valores operacionais e não operacionais, antecipações de recebíveis, transferências internas de contas, operações financeiras e vendas de atletas.
Plano de pagamento contestado
O plano proposto pela administradora judicial para distribuir cerca de R$ 20,2 milhões disponíveis em conta enfrenta resistência de credores. As contestações mencionam omissões de créditos, divergências de valores, inconsistências na lista de credores e questionamentos sobre a base de cálculo. Há pedidos de suspensão imediata dos repasses, mas o magistrado ainda não decidiu; as partes devem se manifestar antes de nova análise.
Derrota sobre uso de recursos
No mesmo despacho, o Corinthians teve negado recurso que buscava liberar o chamado “leilão reverso” para valores já depositados em juízo. O clube alegou que o mecanismo é aceito para receitas futuras, como a venda de jogadores, e solicitou tratamento idêntico. O juiz manteve a proibição por falta de previsão no plano homologado, preservando as atuais restrições.


Imagem: Internet
Pressão interna e pedidos de intervenção
Os desdobramentos judiciais ocorrem em meio a um cenário político turbulento no Parque São Jorge. Integrantes do quadro social e torcedores protocolaram pedido de intervenção na mesma vara que conduz o RCE. O tema também é alvo de inquérito no Ministério Público, atualmente suspenso após recurso do clube. A menção expressa à possibilidade de intervenção judicial fortalece a mobilização de opositores nos bastidores.
O Corinthians afirma manter “compromisso com a transparência” e diz estar à disposição para quaisquer novos esclarecimentos.

