A Vara de Execuções da Justiça de São Paulo advertiu o Sport Club Corinthians Paulista sobre a possibilidade de nomear um interventor judicial após identificar a omissão de aproximadamente R$ 150 milhões na prestação de contas referente a fevereiro de 2026.
A decisão, assinada na noite de quarta-feira (25), determinou que o clube seja intimado para explicar a divergência registrada no Regime de Centralização de Execuções (RCE), instrumento que permite o parcelamento de dívidas executadas em juízo.
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De acordo com o despacho do juiz Guilherme Cavalcanti Lamêgo, a resistência no fornecimento de documentos ou a manutenção de dados inconsistentes poderá resultar na indicação de um “observador ou interventor judicial” para garantir a lisura do processo.
Diferença de R$ 149,2 milhões
Relatório do administrador judicial anexado aos autos aponta que o Corinthians declarou receitas de R$ 64.202.368,75 em fevereiro, enquanto a análise dos extratos bancários indica entradas de R$ 213.414.738,29, gerando uma discrepância de R$ 149.212.369,54.
O perito responsável solicitou que o clube se manifeste sobre o valor e disponibilize os recursos provenientes de vendas de atletas para um leilão reverso previsto no RCE; caso contrário, as verbas deverão ser destinadas ao pagamento do mês seguinte.
Credores pedem suspensão do regime
Após a revelação da diferença, o empresário André Cury, credor de até R$ 40 milhões relativos ao atacante Yuri Alberto, ingressou no processo requerendo a suspensão do regime especial de pagamentos.
Pelo plano homologado, o Corinthians deve destinar aos credores porcentagens mínimas de receita: 4% no primeiro ano, 5% no segundo e 6% a partir do terceiro, com rateio de 30% para credores preferenciais e 70% para os demais.


Imagem: Internet
Saldo em caixa e dívidas
Documentos da perícia indicam que o clube possuía R$ 20.263.768,87 em contas bancárias em 24 de fevereiro. O administrador calculou dívidas imediatas de cerca de R$ 226 milhões, valor menor que os quase R$ 700 milhões classificados como “perdas prováveis” ao longo do processo.
Posição do Corinthians
Em nota protocolada no dia 24 de março, o Corinthians afirmou que a diferença é “apenas aparente”, alegando distinções entre receitas operacionais e não operacionais, movimentações internas, operações financeiras, antecipações de recebíveis e negociações de atletas. O clube declarou já ter esclarecido os pontos ao administrador judicial antes mesmo do despacho do dia 25.
A agremiação reiterou compromisso com transparência, disse lamentar “desencontro de informações” e negou intenção de ocultar valores. Até a publicação desta matéria, o juiz ainda não avaliou a manifestação corinthiana.
