Atletas canadenses cobram ação de redes sociais e governo após receberem ameaças e ofensas racistas online. Os ataques aumentaram após empate com a Bósnia por 1 a 1.
Os jogadores da seleção canadense de futebol pediram às empresas de mídia social e ao governo federal que identifiquem e responsabilizem os usuários que comentem abusos racistas, façam ameaças de morte ou compartilhem mensagens de ódio nas redes sociais. A solicitação vem em um momento em que os atletas enfrentam um aumento significativo de ataques online.
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Após a partida entre Canadá e Bósnia, que terminou em 1 a 1, alguns membros da equipe canadense relataram ter sido alvos de ofensas nas redes sociais, muitas vezes de usuários que mantêm suas identidades ocultas. Os jogadores afirmam que os administradores das plataformas sociais não respondem de maneira adequada às denúncias de mensagens racistas.
Os atletas argumentam que o governo de Ottawa deveria considerar a implementação de regras mais rigorosas para exigir que as empresas que gerenciam as redes sociais ajudem a identificar e punir os usuários que compartilham mensagens ofensivas com o intuito de insultar e ameaçar. Em entrevistas, muitos jogadores destacaram que os insultos geralmente surgem após faltas cometidas, chances de gol perdidas ou ao final das partidas.
Moise Bombito, zagueiro da seleção e jogador do Nice, relatou ter recebido mais de mil comentários de ódio após uma falta em Lionel Messi durante a estreia do Canadá na Copa América de 2024. Ele afirmou: ‘Eu reli meus comentários e pensei: “Nossa! Isso só confirmou que ele ainda existe. O racismo está aí e não dá para se esconder dele”.’
Outro atleta, Liam Millar, destacou que seu telefone ‘não parou de tocar’ após perder um pênalti contra a Venezuela na Copa América, e que essa não foi a única vez em que enfrentou hostilidade. Ele comentou: ‘Obviamente, recebi muitas mensagens do tipo ‘Você é inútil, você é péssimo’. Recebi algumas ameaças de morte, como ‘Você deveria morrer’, e coisas do tipo.’
Liam também enfatizou que as opiniões sobre o desempenho dos atletas são aceitáveis, mas as ameaças e mensagens racistas não devem ser vistas como normais e precisam ter consequências. ‘Todos têm direito à sua própria opinião. Obviamente, quando se trata de ameaças de morte, racismo ou qualquer outra coisa, isso é totalmente inaceitável. Acho que isso merece punição’.
Você pode gostarPatrocinado · MGIDStephen Eustaquio, capitão da equipe, observou que, embora as empresas de mídia social pareçam tentar limitar abusos, os usuários podem facilmente reabrir contas após exclusões. Ele também apontou que o aumento das apostas esportivas online intensificou os abusos, com jogadores recebendo ameaças de apostadores quando os resultados não são favoráveis.
‘Isso faz parte das apostas… É lamentável, mas é algo que acontece’, afirmou Eustaquio.
Em 10 de junho, o governo federal apresentou o Projeto de Lei C-34, que, se aprovado, imporá novas obrigações regulatórias aos operadores de mídias sociais e chatbots de inteligência artificial no Canadá. A nova legislação exigirá que as empresas atuem para mitigar o contato prejudicial em seus serviços, avaliem denúncias de conteúdo prejudicial feitas pelos usuários em até 24 horas e divulguem informações sobre cada denúncia recebida.
Para a seleção canadense, a próxima partida na Copa do Mundo será contra o Catar, no dia 18 de junho, às 19h, no Vancouver Place. A equipe enfrentará a Suíça na terceira rodada, em 24 de junho, às 16h, também no Vancouver Place.



