Em 1934, o meia Mola chocou o futebol brasileiro ao rejeitar a convocação para a Seleção. A decisão revelou a crise entre amadorismo e profissionalismo que dividia o esporte no país.
Você já imaginou um jogador recusando uma convocação para a Seleção Brasileira com o objetivo de permanecer em seu clube? Em 1934, essa realidade se concretizou com Mola, um talentoso meia que optou por não participar da Copa do Mundo na Itália para continuar sua trajetória no Vasco.
📖 Leia Também
Naquele período, o Brasil enfrentava uma intensa disputa política entre duas federações. A Confederação Brasileira de Desportos (CBD) defendia o amadorismo, enquanto a maioria dos clubes já havia se profissionalizado e fundado a Federação Brasileira de Futebol (FBF). Essa divisão causou impactos significativos nas convocações e na composição da Seleção.
Para o Mundial de 1934, a CBD tentou convencer diversos jogadores profissionais, incluindo os melhores atletas da época. No Vasco, por exemplo, Tinoco e Leônidas da Silva foram persuadidos com ofertas atraentes, recebendo 30 contos de luvas e um salário de 1 conto de réis, conforme relatavam os jornais da época.
No entanto, Mola decidiu permanecer fiel ao seu clube, optando por não integrar a Seleção. O atleta, que foi revelado pelo diretor Adriano Rodrigues, chegou ao Vasco em 1928. Durante sua passagem, formou um lendário trio de meio-campo ao lado de Tinoco e Fausto, conquistando o Campeonato Carioca em 1929 e 1934, além do Torneio Início em 1929, 1930, 1931 e 1932.
Após sua recusa em servir a Seleção, Mola enfrentou uma grave lesão no joelho que o forçou a encerrar sua carreira de forma precoce em 1935, aos 28 anos. Sem a presença de muitos de seus melhores atletas, a Seleção Brasileira embarcou em uma longa viagem de cerca de duas semanas no navio “Conte de Biancamano” rumo à Itália. Durante a travessia, os treinos eram realizados de maneira improvisada no convés da embarcação.
Antes de chegar à Itália, o navio fez uma parada em Barcelona para embarcar os jogadores espanhóis, que se tornariam seus adversários na estreia do torneio. A equipe, sob o comando de Luiz Augusto Vinhaes, viajou sem ter realizado nenhum amistoso no ano anterior e acabou não tendo sorte na competição.
Diferente da Copa de 1930, a edição de 1934 adotou um formato eliminatório desde as oitavas de final. O Brasil enfrentou a Espanha em sua primeira partida, no dia 27 de maio, no estádio Luigi Ferraris, em Gênova. A Seleção foi derrotada por 3 a 1, com os espanhóis abrindo 3 a 0 ainda no primeiro tempo, enquanto Leônidas da Silva anotou o gol de honra para os brasileiros.



