Com uma goleada de 4 a 0 sobre a Tunísia, o Japão protagonizou o milésimo jogo da história das Copas. A exibição dominante credencia os asiáticos entre os favoritos do torneio.
A goleada do Japão por 4 a 0 sobre a Tunísia, na madrugada deste domingo (21), em Guadalupe, no México, ficará registrada por um motivo que transcende o próprio resultado. O duelo, válido pela segunda rodada do Grupo F, foi o jogo de número 1000 da história das Copas do Mundo. Mas, se havia um palco simbólico para marcar a ocasião, os japoneses trataram de transformá-lo em uma exibição de força coletiva, identidade bem definida e maturidade competitiva.
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O placar elástico foi consequência direta de uma atuação dominante. Mais do que vencer, os japoneses controlaram os espaços, ditaram o ritmo e impuseram uma intensidade que a Tunísia jamais conseguiu acompanhar. O resultado leva o Japão aos quatro pontos, mesma pontuação dos Países Baixos, e deixa a classificação à fase de 16 avos de final muito bem encaminhada. A equipe asiática chega à rodada derradeira dependendo apenas de si para avançar e, principalmente, reforça a impressão de que pode ser uma das seleções mais incômodas da fase eliminatória.
O estilo arrojado de jogar do ‘camaleão’ Japão se destaca. Embora costume partir de uma estrutura base em 3-4-2-1, o Japão está longe de ser uma equipe presa a esquemas rígidos. Sua principal virtude é a capacidade de alterar comportamentos sem abrir mão da própria identidade. Os alas são peças fundamentais nesse mecanismo, funcionando como pontas em muitos momentos, empurrando o adversário para trás e oferecendo amplitude constante.
Em outros momentos, aparecem por dentro, participando de triangulações e associações curtas que aceleram a circulação da bola. O resultado é um ataque difícil de prever e ainda mais complicado de marcar. Contra a Tunísia, isso ficou evidente. Frequentemente, o Japão atacava com cinco ou até seis jogadores ocupando o campo ofensivo. A equipe alargava a defesa rival, criava superioridades numéricas nos corredores e encontrava espaços para infiltrações.
Quando não havia caminho pelo chão, surgia a bola longa. Quando o jogo pedia paciência, vinha a troca de passes. E quando aparecia espaço para correr, a transição era imediata. Poucas seleções nesta Copa apresentaram tamanho repertório até o momento, e os Samurais Azuis estão entre as principais surpresas do torneio.
O termo “camaleão” encaixa-se perfeitamente. O Japão consegue adaptar suas ações às circunstâncias sem parecer improvisado. Não há ruptura entre um plano e outro. Tudo parece treinado, assimilado e executado com naturalidade. Essa versatilidade ajuda a explicar por que a equipe chegou ao Mundial embalada por uma sequência tão expressiva.
Antes mesmo da estreia, os japoneses vinham de seis vitórias consecutivas, incluindo resultados importantes diante de adversários de peso, como Brasil e Inglaterra. O empate por 2 a 2 contra a Holanda na primeira rodada já havia servido como demonstração de competitividade. Agora, a vitória sobre a Tunísia reforça essa tendêcia. São nove partidas de invencibilidade para uma seleção que parece cada vez mais confortável em enfrentar cenários distintos.
Se a flexibilidade ofensiva chama atenção, o comportamento sem a bola talvez seja ainda mais impressionante. O Japão pratica com eficiência um dos conceitos mais valorizados do futebol contemporâneo: o perde-pressiona. Quando perde a posse, a reação é imediata. Os jogadores encurtam espaços, aceleram a perseguição ao portador da bola e tentam recuperar o controle da jogada antes que o adversário consiga organizar qualquer saída.
Isso ficou evidente diante da Tunísia. Sempre que os tunisianos ensaiavam uma construção mais limpa, encontravam uma parede de camisas azuis pela frente. A pressão alta sufocou a circulação de bola, provocou erros técnicos e obrigou a equipe africana a recorrer a lançamentos precipitados. Além da agressividade na recuperação, chama atenção a velocidade com que o Japão executa suas ações ofensivas.
Agora, o Japão chega à última rodada ocupando a vice-liderança do Grupo F e dependendo apenas de um bom resultado — empate já basta — diante da Suécia para confirmar presença no mata-mata. A Tunísia, por sua vez, se vê em uma situação complicada e precisa de um milagre para avançar.
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