Recém-chegado a Anfield, o técnico basco diz que colocará o coletivo acima das estrelas. Em pré-temporada nos EUA, destacou a influência de treinadores espanhóis e os valores que quer implantar.
A chegada de Andoni Iraola ao Liverpool marca o início de um novo projeto esportivo em Anfield. O treinador espanhol já deixou evidente que sua visão de futebol vai muito além de questões táticas ou escolhas de escalação. Em entrevista durante a pré-temporada do clube nos Estados Unidos, Iraola refletiu sobre o domínio de treinadores espanhóis e bascos no cenário internacional e revelou quais valores pretende implementar no dia a dia dos Reds, colocando o coletivo acima de qualquer individualidade.
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O momento vivido pelos técnicos espanhóis ajuda a sustentar sua tese. Sob o comando de Luis de la Fuente, a Espanha conquistou a Eurocopa e, posteriormente, a Copa do Mundo, consolidando uma geração vencedora. Em clubes, nomes como Luis Enrique, Mikel Arteta, Unai Emery, Pep Guardiola, Fàbregas e Xabi Alonso acumulam campanhas de destaque nas principais ligas europeias, reforçando a impressão de que existe uma escola consolidada de treinadores no país.
Para Iraola, no entanto, a explicação para esse sucesso não está ligada somente ao conhecimento tático ou à qualidade técnica dos profissionais. Em sua visão, trata-se de uma característica cultural construída desde cedo e que influencia diretamente a forma como jogadores e treinadores enxergam o esporte.
“Muitas pessoas me perguntam por que tantos treinadores bascos, em especial, chegaram a esse nível e por que tantas equipes espanholas estão ganhando tantos títulos. Eu sempre respondo que o espírito de equipe é muito importante. A Espanha nunca teve os melhores atletas. Se você analisar, na natação, no atletismo, eles normalmente não ganham medalhas”, destacou o novo técnico do Liverpool.
Segundo Iraola, essa diferença aparece nas modalidades coletivas, em que o país costuma apresentar desempenho muito superior ao esperado quando comparado ao seu potencial em esportes individuais. “Mas nos esportes coletivos eles são muito bons. No futebol, basquete, handebol, hóquei… Sempre colocamos o time em primeiro lugar”, acrescentou.
“Um exemplo é alguém como o Rodri. Ele não marcou gols nem deu assistências, mas no final o time ganhou a Copa do Mundo e ele foi eleito o melhor jogador do torneio. A ideia de priorizar o time sempre esteve integrada à nossa educação”, completou Iraola.
Além disso, o treinador também abordou a percepção recorrente sobre o estilo da seleção espanhola. Embora o país ainda seja associado ao chamado tiki-taka, ele acredita que a identidade recente da equipe campeã mundial passa por aspectos menos comentados, principalmente sem a posse de bola. “Existem muitos estilos diferentes no futebol espanhol. Na seleção, sempre se fala em tiki-taka, mas mesmo na Copa do Mundo dava para ver que eles pressionavam muito bem”, afirmou.
Na avaliação do treinador, essa disposição para trabalhar em benefício da equipe extrapola o ambiente esportivo e reflete valores presentes na própria sociedade espanhola. “As coisas funcionam de forma geral quando não somos egoístas, quando priorizamos a situação daqueles que têm menos. Isso também acontece no futebol. Os que não jogam, os que vêm da base, os que ganham menos, é um bom exemplo se compararmos com a sociedade”, finalizou.
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