A seleção do Irã não deverá disputar a Copa do Mundo de 2026. O ministro dos Esportes do país, Ahmad Doyanmali, declarou que “não há condições” para a participação iraniana em meio aos ataques militares de Estados Unidos e Israel. A retirada, se confirmada oficialmente, pode levar a punições esportivas e financeiras pela Fifa.
Possíveis sanções
O regulamento da entidade estabelece multa mínima de 250 mil francos suíços (cerca de R$ 1,6 milhão) para seleções que abandonarem o torneio até 30 dias antes do início. Caso a desistência ocorra em prazo menor, o valor dobra para 500 mil francos suíços (aproximadamente R$ 3,2 milhões). Além disso, a federação precisará devolver recursos recebidos para a preparação da equipe.
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Apesar das penalidades previstas, o artigo 6.3 do regulamento admite exceções em “casos de força maior reconhecidos pela Fifa”. Especialistas lembram que o contexto de guerra pode ser enquadrado nessa condição, reduzindo ou mesmo afastando eventuais punições.
Substituição e formato do grupo
Se o Irã confirmar a saída, a Fifa decidirá unilateralmente se preencherá a vaga ou manterá o Grupo G com três seleções. O posto iraniano pode ser repassado a outra representante da Confederação Asiática – o Iraque, que disputa repescagem mundial no fim de março, é o principal candidato. Caso os iraquianos avancem via playoff, Emirados Árabes Unidos surgem como próxima opção. Há também a possibilidade de a entidade recorrer ao sistema “lucky loser” e chamar Bolívia ou Suriname, quem perder para o Iraque na repescagem.
Agenda de jogos já marcada
O Irã tinha compromissos programados contra Nova Zelândia (15 de junho) e Bélgica (21 de junho) em Inglewood, Califórnia, além de enfrentar o Egito em Seattle no dia 26 de junho. A saída impediria a equipe persa de disputar seu sétimo Mundial – o quarto consecutivo.
Reações políticas
Questionado na semana passada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse “não se importar” com um eventual boicote do Irã, mas afirmou pouco depois que a seleção “é bem-vinda” no torneio em solo norte-americano. A declaração foi divulgada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, em redes sociais.
Contexto do conflito
Os bombardeios começaram em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram instalações iranianas para conter o programa nuclear do país e atingir o regime xiita vigente desde 1979. A operação resultou na morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e de integrantes da cúpula iraniana. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra alvos em Israel, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e Bahrein. Mojtaba Khamenei, filho de Ali, foi nomeado novo líder supremo.
Os confrontos prosseguem, com reflexos diretos no preço do petróleo e riscos ao tráfego pelo Estreito de Ormuz. Paralelamente, Israel ataca posições do Hezbollah no Líbano, enquanto o governo norte-americano projeta algumas semanas de conflito, sob decisão final de Trump sobre a duração dos ataques.
Sem definição oficial da Fifa até o momento, o futuro do Irã na Copa permanece incerto e dependerá da avaliação de força maior pela entidade e de eventuais ajustes no regulamento disciplinar.
