Estrelas da Fórmula 1 expõem o lado cruel do esporte mais veloz do mundo. Chegar à elite pode custar mais de R$ 43 milhões, tornando o sonho inacessível para jovens de origem humilde.
Os pilotos Lewis Hamilton, Max Verstappen e Esteban Ocon levantam preocupações sobre as barreiras financeiras que dificultam o acesso de novas gerações à Fórmula 1. Durante uma discussão sobre os altos custos para se tornar um piloto profissional, Hamilton destacou que os gastos podem ultrapassar 6 milhões de libras, ou cerca de R$ 43 milhões, o que torna quase impossível para jovens de origens humildes sonhar com uma carreira na categoria.
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Hamilton, que é um dos nomes mais icônicos da F1, expressou sua indignação ao afirmar que não há uma prestação de contas adequada por parte das entidades que administram o esporte. “Não dediquei tempo para analisar isso a fundo, porque, na minha opinião, é algo que está sempre indo na direção errada. Precisa haver alguma maneira de tornar isso acessível, é ridículo”, disse o heptacampeão.
“Hoje em dia, é altamente improvável, se não impossível, que alguém de origem humilde consiga chegar a um nível em que possa competir com quem está gastando 1 milhão. Isso não deveria ser permitido”, completou Hamilton.
A trajetória de Hamilton é emblemática, pois seu pai, Anthony, trabalhou em três empregos para manter o filho no kart. Lewis começou sua jornada em escolas públicas e teve seu pai como mecânico, competindo com karts usados até ser apoiado pela McLaren.
Um levantamento da BBC revelou que o custo para uma criança competir no kart dos oito aos 13 anos gira em torno de 390 mil libras, equivalente a R$ 2,6 milhões. Esses valores continuam a aumentar conforme o jovem avança nas categorias do automobilismo. Hamilton enfatizou que, em vez do talento, são as famílias com recursos financeiros que têm mais chances de se destacar.
“À medida que você avança, fica cada vez mais caro. Infelizmente, no curto prazo, é isso que você vai ver nas próximas décadas”, afirmou o piloto.
Os custos para competir em monopostos são alarmantes: uma temporada na Fórmula 4 pode custar 520 mil libras, enquanto na Fórmula Regional Europeia, o valor pode chegar a 1 milhão de libras. Na Fórmula 3, os gastos ficam entre 1,3 e 1,6 milhão de libras, e na Fórmula 2, entre 2 e 2,3 milhões de libras. Somando tudo, o total pode chegar a até 5,8 milhões de libras, e em alguns casos, os valores podem ultrapassar 10 milhões de libras.
Verstappen também compartilhou sua visão sobre a situação, apontando que os altos custos estão limitando o potencial de talentos que não têm apoio financeiro. Ele sugeriu que o uso de simuladores pode ser uma alternativa para jovens pilotos se prepararem antes de entrarem em carros de Fórmula. “Com a precisão dos simuladores, você já pode estar dez passos à frente em termos de preparação”, afirmou.
As Academias de Pilotos, criadas por equipes de F1, estão se tornando cada vez mais importantes, embora as barreiras financeiras persistam. Ocon, que também teve uma trajetória difícil, ressaltou que, se tivesse que recomeçar sua carreira hoje, não conseguiria devido aos altos custos.
“É uma loucura o quanto isso é caro. Talvez 70% de simulador e 30% de pilotagem real seja um caminho a seguir, mas é preciso que os jovens pilotos tenham acesso a carros de verdade a um preço acessível”, afirmou Ocon.
Em resposta às críticas, um porta-voz da FIA declarou que a acessibilidade financeira é uma prioridade para a entidade, embora muitos custos ainda estejam fora de seu controle direto.


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