O ex-zagueiro e ídolo de Milan e da seleção italiana faleceu nesta sexta. Desde agosto de 2025 vinha sendo tratado de um nódulo pulmonar com cirurgia e imunoterapia; foi internado quando a condição se agravou.
O ex-jogador Franco Baresi, um dos maiores zagueiros da história do futebol, morreu nesta sexta-feira, 31, aos 66 anos, na Itália. Símbolo do Milan e da seleção italiana, ele enfrentava um tratamento contra um nódulo pulmonar desde agosto de 2025, quando foi operado e iniciou um processo de imunoterapia. Baresi havia sido internado na terça-feira anterior à morte, em um quadro que se agravou rapidamente. Na quarta-feira, o clube e a imprensa italiana precisaram desmentir rumores prematuros sobre seu falecimento, que haviam circulado dois dias antes da confirmação oficial.
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Nascido em 8 de maio de 1960, em Travagliato, província de Bréscia, Baresi perdeu os pais ainda jovem e encontrou no futebol, e depois no Milan, um ponto de estabilidade. Sua trajetória começou com uma rejeição: nos testes da Internazionale, foi descartado por altura e estrutura física consideradas insuficientes, enquanto o irmão mais velho, Giuseppe, foi aprovado e se tornaria ídolo do clube rival. O Milan reconheceu seu potencial, e Baresi estreou pela equipe principal em abril de 1978, aos 17 anos.
Entre 1977 e 1997, disputou 719 partidas oficiais pelo Milan, único clube de sua carreira — inclusive durante o rebaixamento à Serie B no início dos anos 1980, período em que optou por permanecer no elenco. Nomeado capitão aos 22 anos, foi peça central nas equipes comandadas por Arrigo Sacchi e, depois, Fabio Capello, que dominaram o futebol italiano e europeu. Sob sua liderança, o Milan conquistou seis títulos da Serie A, três Ligas dos Campeões, duas Copas Intercontinentais e quatro Supercopas da Itália.
Pela seleção italiana, Baresi disputou 81 partidas e integrou o elenco campeão da Copa do Mundo de 1982, na Espanha, embora não tenha atuado durante o torneio. Seu momento mais marcante veio na Copa de 1994, nos Estados Unidos: recém-operado de uma lesão no menisco, retornou após 25 dias para atuar na final contra o Brasil, com uma atuação decisiva na marcação ao longo dos 120 minutos de jogo. Na disputa de pênaltis, ele desperdiçou a primeira cobrança da Itália. É o único jogador da história a ter conquistado primeiro, segundo e terceiro lugares em Copas do Mundo.
Baresi ajudou a redefinir a função de líbero no futebol moderno, apoiando-se em antecipação, leitura tática e no controle da linha de impedimento, mais do que em força física. Em 1997, ano de sua aposentadoria, o Milan retirou de circulação a camisa número 6, usada por ele durante toda a carreira; em 1999, torcedores o elegeram o melhor jogador do século do clube. Foi incluído na lista Fifa 100, organizada por Pelé em 2004, e ingressou no Hall da Fama do futebol italiano em 2013. Desde 2020, ocupava o cargo de vice-presidente honorário do Milan. Sua última aparição pública foi em fevereiro de 2026, quando carregou a tocha olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, no estádio San Siro.
Baresi deixa uma carreira marcada pela permanência em um único clube, pela liderança discreta e pela contribuição técnica à posição que ocupou por duas décadas.

