O título do Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2025 marcou o fim de uma série de três conquistas seguidas comandadas por treinadores estrangeiros. À frente da equipe rubro-negra, Filipe Luís tornou-se o primeiro técnico brasileiro a erguer a taça desde 2021, interrompendo o domínio recente de portugueses como Abel Ferreira, bicampeão com o Palmeiras, e Artur Jorge, campeão pelo Botafogo na temporada passada.
De 2019 para cá, período em que o impacto de Jorge Jesus elevou a procura por profissionais de fora no país, apenas três brasileiros venceram o torneio em sete edições: Rogério Ceni (Flamengo, 2020), Cuca (Atlético-MG, 2021) e agora Filipe Luís.
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Equilíbrio no banco de reservas
A participação de treinadores também apresentou números próximos. Na abertura do campeonato, eram 11 brasileiros contra 9 estrangeiros; na rodada final, a conta fechou em 12 a 8 a favor dos técnicos nacionais.
“Se você estuda futebol, ama futebol e vive isso, consegue aplicar o conhecimento em qualquer lugar”, ressaltou Filipe Luís ao comentar o cenário misto no país. Ele apontou Abel Ferreira como o melhor técnico em atividade no Brasil, mas destacou o trabalho de Rafael Guanaes no Mirassol como a grande surpresa da temporada.
Mirassol impressiona com baixo orçamento
Estreante na Série A e com um dos menores investimentos da liga, o clube paulista fechou o campeonato na quarta colocação, assegurando vaga direta na fase de grupos da Libertadores. O estilo de jogo chamou a atenção não só de Filipe Luís, mas também de Davide Ancelotti, técnico do Botafogo, que afirmou não existir equipe semelhante na Europa.
Rebaixamento não tem nacionalidade
Na parte de baixo da tabela, o rebaixamento envolveu diferentes escolas. O Fortaleza caiu após passar pelos argentinos Juan Pablo Vojvoda e Martín Palermo, além de um período crítico sob o comando do português Renato Paiva. O Sport iniciou a campanha com o lusitano Pepa, enquanto o Internacional demitiu o argentino Ramón Díaz perto do fim e escapou com o ídolo Abel Braga.
Entre os que se salvaram, Jair Ventura garantiu a permanência do Vitória, repetindo feitos anteriores por Sport (2020), Juventude (2021) e Goiás (2022). Já Juventude e Ceará não conseguiram evitar a queda mesmo sob comando de brasileiros: os nordestinos ficaram o campeonato inteiro com Léo Condé, e o time gaúcho passou por Claudio Tencati e Thiago Carpini, que dirigiu a equipe na última rodada, em 7 de dezembro.
Com o troféu nas mãos, Filipe Luís destacou que a nacionalidade pesa menos que a capacidade de estudo e adaptação: “Copio ideias de muitos treinadores, mas o que o Mirassol faz é tão autoral que se torna difícil de reproduzir”.


