Fábio Mineiro, empresário e ex-jogador, ajudou a transformar dois clubes de Minas em SAFs, levando o Athletic à Série B e o Uberlândia à Série C. Sua gestão impulsionou subidas seguidas e consolidou o modelo em Minas.
Em menos de uma década, dois clubes de Minas Gerais se profissionalizaram como sociedades anônimas do futebol (SAF) e conquistaram vagas nas divisões nacionais. O Athletic deixou a última divisão do Campeonato Mineiro para chegar à Série B do Brasileiro após processo iniciado em 2018, e o Uberlândia voltou à briga nas competições nacionais ao conseguir o acesso à Série C na primeira temporada sob o novo modelo de gestão.
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O elo entre os projetos de SAF
O elo em comum na trajetória das duas equipes é a participação do empresário e ex-jogador Fábio Mineiro. Aos 38 anos, com passagem pela base do Cruzeiro e um gol em Libertadores, Fábio atuou na transição de quatro clubes mineiros para SAF; todos eles estão na primeira divisão do estadual.
No Uberlândia, Fábio conta com outros três acionistas majoritários no comando da SAF, que tem expectativa de investir até R$ 150 milhões para projetar o clube até a Série A do Brasileirão, objetivo que o time não alcança desde 1985. Segundo a apresentação do projeto, o investimento visa estruturar o clube nas áreas administrativa, financeira e de futebol.
A influência da carreira de jogador na gestão
Em entrevista, Fábio destacou a influência de sua carreira como jogador na visão de gestão e descreveu o modelo que tenta implementar nas SAFs. Ele relacionou a vivência dentro e fora de campo à necessidade de profissionalizar setores do clube e de entender as demandas dos atletas.
“Eu era muito observador por onde passava, e essa experiência de cada cidade, de cada país, me agregou muito. Essa experiência que eu vivi dentro e fora do campo me fez perceber que é preciso colocar um setor profissional muito mais abrangente.”
Nos bastidores, o dirigente tem atuação destacada e postura direta nas relações com jogadores, treinadores e torcida. O texto informa que ele chegou a criticar torcedores que vaiaram o Uberlândia e que promoveu três trocas de comando técnico ao longo da temporada até definir o técnico Danilo.
“O futebol também é muito estressante, ele é uma máquina de triturar pessoas. Eu estou dentro do CT todos os dias, viajo com o time, estou participando de tudo”.
Fábio Ernesto Lima de Campos, natural de São João del Rei, iniciou a carreira na base e passou pelo sub-15 do Cruzeiro antes de seguir carreira internacional. Em 2011, foi contratado pelo Jorge Wilstermann, da Bolívia, e marcou um gol na Libertadores contra o Jaguares, da Colômbia, em uma edição na qual enfrentou o Internacional no Beira-Rio e em Cochabamba.
Sua trajetória como jogador o levou a países como Chipre, Moldávia, Irã e Coreia do Sul, além de passagens por clubes brasileiros como Macaé, Cabofriense e Desportivo Brasil. A última experiência ocorreu na Grécia, onde enfrentou atrasos salariais e, ao retornar ao Brasil, encerrou a carreira como atleta.
De volta a São João del Rei, Fábio passou a atuar nos empreendimentos familiares e retornou ao futebol em 2018 como gerente de futebol do Athletic Club. O clube, que não disputava o Campeonato Mineiro desde 1969, inscreveu-se na Segunda Divisão estadual, conquistou o vice-campeonato na primeira competição profissional em cinco décadas e subiu ao Módulo 2. Posteriormente, foi vice-campeão do Módulo 2 em 2020 e alcançou o Módulo 1 do Mineiro em seguida.



