Seleção americana questiona nova política olímpica que exige exames genéticos para elegibilidade de atletas. Equipe cobra transparência no uso dos dados coletados e defende dignidade das jogadoras.
Em um comunicado oficial, a Seleção Feminina de Vôlei dos Estados Unidos manifestou sua preocupação em relação à nova política do Comitê Olímpico Internacional (COI) que determina a realização de testes genéticos para a elegibilidade de atletas mulheres na categoria feminina. O anúncio foi feito em março de 2026, e as jogadoras ressaltaram que já cumpriram os requisitos de testes de SRY, conforme exigido pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
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A seleção americana questionou a falta de transparência sobre o tratamento das informações genéticas coletadas durante os exames, destacando que não foram fornecidos detalhes sobre o armazenamento dos dados, quem teria acesso a essas informações e por quanto tempo elas seriam mantidas. Além disso, as atletas expressaram preocupações sobre as regras para uma possível utilização futura desses registros genéticos.
“Como atletas mulheres, fomos solicitadas a passar por testes biológicos invasivos sem transparência suficiente sobre o tratamento de informações genéticas profundamente sensíveis”, afirmaram as jogadoras.
As atletas também solicitaram um processo mais claro de recurso em casos de resultados contestados ou falsos positivos, ressaltando que essa postura não é uma recusa em cumprir as regras, mas sim uma defesa por mais privacidade médica e participação das jogadoras na construção de políticas relacionadas a dados sensíveis de saúde e genética.
A nova política do COI, que se aplicará a todas as modalidades olímpicas, determina que a presença ou ausência do gene SRY será o critério para a participação em competições femininas. Essa decisão, segundo o COI, foi baseada em evidências científicas e em pesquisas com mais de 1.100 pessoas, entre atletas e ex-atletas.
“A natureza desse mandato colocou as atletas em uma posição impossível: submeter-se a exames genéticos invasivos ou correr o risco de perder a oportunidade de competir”, afirmou a seleção.
A testagem será realizada uma única vez durante a vida do atleta, e resultados negativos para o gene SRY garantirão a permissão para competições na categoria feminina, sem necessidade de novos exames. No entanto, resultados positivos não permitirão uma nova oportunidade de teste.
Além disso, o contexto da nova política do COI ocorre em um cenário onde o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia proibido atletas trans de competirem em eventos escolares, universitários e profissionais, afirmando que não permitiria a participação de mulheres trans nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.
A Seleção Feminina dos EUA reforçou que as preocupações levantadas são legítimas e merecem um debate mais profundo, defendendo que as atletas devem ser parte ativa na discussão e construção de novos sistemas desde o início.



