Pesquisas recentes colocam em dúvida a eficácia da certificação FIFA Quality Pro concedida a gramados sintéticos. Especialistas apontam que os testes usados pela entidade não reproduzem as forças e movimentos registrados em partidas profissionais, o que pode expor atletas a riscos de lesões.
Como a FIFA avalia o piso
A federação utiliza equipamentos como o Rotational Traction Tester (RTT), seu modelo leve Lightweight RTT e o Advanced Artificial Athlete (AAA). O RTT mede a resistência da superfície durante a rotação de um pé com travas sob carga predeterminada, enquanto o AAA avalia dureza e capacidade de absorção de impacto.
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Segundo o estudo de Cole et al. (2023), o AAA capta forças por menos de 50 milissegundos e não replica o formato real do pé do jogador. Já McGowan et al. (2025) mostrou que a tensão normal aplicada nos ensaios da FIFA é de 26 kPa, contra 728 kPa em chutes e 655 kPa em cortes e mudanças de direção – discrepância superior a 25 vezes.
Limitações científicas
O padrão-ouro em pesquisa médica seria um ensaio clínico randomizado controlado com centenas de atletas divididos entre gramado sintético e natural, condição considerada inviável financeiramente e eticamente no futebol profissional. Por isso, grande parte das evidências provém de estudos observacionais, sujeitos a fatores de confusão.
Uma meta-análise publicada na revista The Lancet em 2023 reuniu 22 trabalhos e indicou menor incidência geral de lesões em pisos artificiais, mas somente 5 estudos (23 %) ajustaram variáveis de forma adequada. Pesquisas posteriores focadas em lesões graves, como rupturas de ligamento cruzado anterior e problemas no tendão de Aquiles, identificaram maior risco no sintético.
Percepção dos atletas
Além dos dados quantitativos, o levantamento de Poulos et al. (2014) revelou que a maioria dos jogadores profissionais relata desconforto e sensação de insegurança ao atuar em superfícies artificiais. Para os autores, essa opinião deve ser considerada na ausência de consenso definitivo.
Conclusão dos especialistas
Os pesquisadores afirmam que o selo da FIFA estabelece apenas requisitos mínimos de qualidade. Diante das lacunas nos testes laboratoriais, do aumento observado em determinadas lesões e da percepção negativa dos atletas, eles defendem cautela na adoção de gramados sintéticos nas competições de elite.


