A ofensiva militar dos Estados Unidos contra alvos ligados ao Irã reacendeu o debate sobre a coerência das punições impostas por organizações do esporte mundial. Desde 2022, Rússia, clubes e atletas do país estão proibidos de disputar competições internacionais devido à guerra na Ucrânia, enquanto outras nações envolvidas em hostilidades permanecem liberadas para competir.
Decisão contra a Rússia
Em fevereiro de 2022, logo após a invasão russa à Ucrânia, FIFA e UEFA suspenderam seleções e equipes russas de seus torneios. O Comitê Olímpico Internacional (COI) recomendou medida semelhante a federações de diferentes modalidades.
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A Federação Russa de Futebol recorreu ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), mas o órgão manteve a sanção. No processo CAS 2022/A/8708, o tribunal alegou que a exclusão era justificada diante da “reação generalizada e sem precedentes da comunidade internacional”.
Declarações da FIFA
Apesar da punição aplicada à Rússia, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou recentemente que “nunca se deve proibir um país de jogar futebol”. A fala foi interpretada como sinal de que outras nações em conflito — como Estados Unidos ou Israel — não deverão enfrentar bloqueios semelhantes.
Precedentes históricos
Sanções esportivas motivadas por conflitos ou violações de direitos humanos não são novidade. Nos anos 1990, a Iugoslávia foi afastada de competições após a Resolução 757 do Conselho de Segurança da ONU. Antes disso, a África do Sul ficou décadas fora de torneios internacionais devido ao regime do apartheid.
Cobrança por critérios objetivos
Pesquisadores e entidades da sociedade civil apontam falta de parâmetros claros para decisões dessa natureza. Em estudo do Instituto Asser, o pesquisador Nick McGeehan destacou que, sem regras universais, determinações da FIFA ou do COI tendem a parecer arbitrárias e politicamente motivadas.
Propostas em debate incluem vincular futuras punições a resoluções do Conselho de Segurança da ONU ou a avaliações independentes sobre violações graves de direitos humanos.
Enquanto não há consenso, a disparidade de tratamento entre países envolvidos em conflitos segue sem explicação unificada, mantendo a pergunta que hoje ecoa entre dirigentes, atletas e torcedores: por que algumas guerras geram sanções esportivas e outras não?
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