Medalhista mundial e pan-americana, a ex-judoca Edinanci Silva afirmou nesta semana que a nova diretriz do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a categoria feminina pode criar um “apartheid genético”. A regra determina que, a partir dos Jogos de Los Angeles-2028, apenas atletas do sexo biológico feminino poderão competir em provas femininas, mediante teste único para detectar o gene SRY, localizado no cromossomo Y.
Edinanci, que nasceu intersexo e se submeteu a uma orquiectomia em abril de 1996 para retirar testículos internos, teme que a medida exclua pessoas com variações de desenvolvimento sexual.
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“Não podemos caminhar para um cenário de segregação. Existimos, queremos respeito e não estamos aqui para burlar sistemas, mas para realizar sonhos”, declarou a ex-atleta ao UOL.
Exame genético único
Pelo protocolo divulgado no mês passado, a elegibilidade será verificada por amostra de saliva, swab bucal ou sangue. O resultado valerá por toda a carreira da competidora.
Para Edinanci, o anúncio reflete pressões políticas. “Os próximos Jogos serão nos Estados Unidos, onde a visão conservadora ganhou força”, comentou. Ela reconhece que a participação de atletas trans em categorias femininas suscita debates de equidade, mas defende revisões para contemplar casos intersexuais: “Caso contrário, será um retrocesso”.
Trajetória no tatame
A paraibana de 48 anos conquistou bronze nos Mundiais de 1997 e 2003, foi bicampeã dos Jogos Pan-Americanos (Santo Domingo-2003 e Rio-2007) e representou o Brasil em quatro Olimpíadas: Atlanta-1996, Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008.


Imagem: Internet
A condição genética foi detectada em 1995, fato então inédito no esporte brasileiro. Segundo dados citados pela ONU-Brasil em 2020, entre 0,05% e 1,7% da população nasce com características intersexuais.
Reconhecimento no Hall da Fama
Na última quarta-feira (10), Edinanci participou da cerimônia que incluiu novos nomes no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil, no Copacabana Palace. A própria judoca foi homenageada em 2023, com o molde de suas mãos exposto permanentemente.
“Quando vi meu nome, achei que fosse trote”, contou, rindo. “Estar entre tantos campeões me dá uma alegria enorme.”

