São Paulo – O Corinthians mantém, desde abril de 2024, a empresa Off Side como responsável pela logística do departamento de futebol sem contrato assinado, sem análise de compliance e sem a coleta de três orçamentos obrigatórios pelo estatuto do clube. A irregularidade foi reconhecida pela atual gestão, presidida por Osmar Stabile.
Troca de prestador sem formalização
A mudança ocorreu na gestão anterior, comandada por Augusto Melo. Na ocasião, o executivo de futebol Fabinho Soldado indicou a substituição da Palace pela Off Side. Embora uma minuta contratual tenha sido elaborada, o documento nunca recebeu assinatura, e a empresa opera há mais de um ano sem vínculo formal.
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Questionamento no Conselho
A situação veio à tona após requerimento do conselheiro Gilson Teixeira ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. No ofício, Teixeira apontou possível sobrepreço, ausência de processo licitatório e conflito de interesses, solicitando esclarecimentos sobre a legalidade e a economicidade do acordo.
Apuração interna
Investigações conduzidas no Parque São Jorge confirmaram que:
- não foram solicitados os três orçamentos previstos no estatuto;
- o contrato não passou pelo sistema de compliance implementado em 2021;
- não há qualquer documento assinado entre clube e empresa.
Posicionamento da diretoria
Em nota, o Corinthians informou que a última troca de e-mails com a Off Side ocorreu em janeiro de 2025 e que “não há evidências de concorrência para escolha da empresa”. O clube afirmou que iniciará os trâmites para regularizar a parceria.
Pagamentos e valores
Sem contrato, a Off Side emite notas fiscais jogo a jogo para partidas fora do Estado de São Paulo. O Corinthians calcula ter desembolsado cerca de R$ 13,4 milhões com logística em 2024 e prevê gasto semelhante em 2025.
Justificativas de envolvidos
Fabinho Soldado, principal entusiasta da mudança, defendeu a continuidade do serviço, alegando menores custos e melhor conforto aos atletas. A atual diretoria, contudo, ressalta que a parte burocrática cabia ao então diretor jurídico Vinicius Cascone, que, assim como o ex-presidente Augusto Melo, preferiu não se manifestar.
Manifesto da Off Side
Procurada, a Off Side declarou, por meio do CEO Rodrigo Ernesto, ter 25 anos de atuação no mercado e atendimento a 25 clubes das Séries A e B em 2025, mas disse não comentar detalhes contratuais por questões de confidencialidade.
Não há prazo definido para conclusão dos procedimentos internos que poderão formalizar – ou encerrar – a relação entre Corinthians e Off Side.

