O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube voltou a rejeitar o balanço financeiro referente ao exercício de 2025. Na segunda votação, realizada após a correção de um erro no sistema eletrônico de apuração, 210 conselheiros votaram contra a aprovação, 24 foram favoráveis e houve três abstenções.
A primeira apuração, concluída na noite de quinta-feira (27), havia apontado 194 votos contrários e 34 favoráveis. Posteriormente, constatou-se que o sistema fora configurado como votação secreta, quando o regulamento determina voto aberto para análise de contas. Com isso, o pleito foi reiniciado às 19h de quinta-feira e encerrado às 22h de sexta-feira.
📖 Leia Também
Fundo promocional sem comprovação
O principal ponto de contestação foi a existência de R$ 7 milhões lançados como “fundo promocional da presidência”, sem documentação que comprove a destinação dos valores. A irregularidade foi identificada pela consultoria RSM, responsável pela auditoria externa.
Os recursos não declarados integram uma investigação conduzida pela força-tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Em inquérito sobre a última gestão, há suspeitas de saques em espécie que somam R$ 11 milhões nas contas do clube durante a administração de Júlio Casares. A defesa do ex-presidente afirma que R$ 4 milhões referem-se a despesas com arbitragem e pagamento de “bicho” a jogadores.
Indicadores financeiros
Mesmo com o questionamento, o São Paulo registrou recorde de faturamento em 2025, atingindo R$ 1 bilhão, e reduziu o endividamento em R$ 100 milhões. A dívida total passou de R$ 968,2 milhões, em 2024, para R$ 858,2 milhões. As despesas, porém, cresceram de R$ 908 milhões para R$ 943 milhões no mesmo período.
Possíveis consequências
Não há sanções automáticas para a gestão de Harry Massis Júnior, mas a reprovação prejudica a imagem do clube e pode dificultar negociações de patrocínios e operações de crédito. Na primeira semana de abril, o conselho analisará dois novos pedidos de empréstimo.

Imagem: Internet
Em situação mais extrema, o Tricolor poderia ser excluído do Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), que permite o parcelamento de dívidas com a União em até 240 meses.
Para o ex-presidente Júlio Casares, a decisão abre caminho para que conselheiros proponham processo por gestão temerária, o que pode levar até à sua exclusão do quadro social tricolor.