O presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, perdeu parte do respaldo que tinha entre seus aliados no Conselho Deliberativo. No fim da tarde desta terça-feira (24), conselheiros que integravam a base de sustentação do dirigente aderiram ao movimento da oposição e subscreveram um pedido de afastamento, elevando para ao menos 80 o número de assinaturas favoráveis à abertura de processo de impeachment.
A articulação inicial da oposição já contava com 58 assinaturas. A adesão do grupo dissidente, segundo apuração do Estadão, ampliou a pressão sobre Casares, que cumpre seu segundo mandato à frente do clube do Morumbi.
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Dissidência inclui ex-diretores
Entre os novos signatários estão Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol, e Vinicius Pinotti, ex-diretor executivo que atuava como consultor da presidência. Ambos são apontados como possíveis candidatos na eleição presidencial de 2026 e compõem o grupo Legião, hoje alinhado à oposição.
Próximos passos do impeachment
Para que o pedido de afastamento avance, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, deve convocar reunião extraordinária em até 30 dias após receber a documentação. Antes disso, o tema precisa ser validado pelo Conselho Consultivo, formado por ex-presidentes do clube e do próprio Conselho.
Se a matéria for levada a plenário, será necessário o voto favorável de 171 dos 255 conselheiros (dois terços) para afastar Casares de forma provisória. Em caso de aprovação, uma Assembleia Geral de sócios deverá ser realizada em até 30 dias; nesta etapa, basta maioria simples para confirmar a decisão.
Caso o impeachment seja consumado, o vice-presidente Harry Massis Junior assumirá o cargo até a eleição indireta de 2026, quando os conselheiros escolherão o novo mandatário.
Escândalos recentes ampliam crise
A perda de apoio ocorre em meio a investigações que atingem a atual gestão. Um áudio vazado revelou negociação clandestina de camarote no estádio MorumBis, envolvendo Mara Casares, ex-esposa do presidente, e o diretor Douglas Schwartzmann, ambos já afastados. O Ministério Público de São Paulo solicitou abertura de inquérito, enquanto o clube instaurou sindicâncias interna e externa.
Paralelamente, a Polícia Civil investiga supostos desvios de verbas em transferências de jogadores. As denúncias abalaram a coalizão que sustentava Casares, já fragilizada desde a saída de Belmonte, embora o ex-diretor tenha apoiado a aprovação do orçamento para 2026.
Com a base dividida e a oposição fortalecida, o destino de Júlio Casares deverá ser definido nas próximas semanas, conforme o andamento dos trâmites regimentais no Conselho Deliberativo.

