O presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, passou a enfrentar dissidências internas e já contabiliza ao menos 80 conselheiros favoráveis ao seu afastamento. O grupo reúne 58 assinaturas da oposição e outras de ex-aliados que decidiram aderir ao movimento até o fim da tarde de terça-feira (23).
Entre os nomes que romperam com o dirigente estão Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol, e Vinicius Pinotti, ex-diretor executivo e ex-consultor da presidência. Ambos são apontados como possíveis candidatos à sucessão em 2026. Belmonte contribuiu com a coleta de apoios por meio do grupo político Legião.
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Próximos passos do processo
Para que o impeachment avance, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, deve convocar reunião extraordinária em até 30 dias após receber o requerimento. Antes, o tema precisa ser liberado pelo Conselho Consultivo, formado por ex-presidentes do clube e do próprio conselho, entre eles Casares, Carlos Augusto de Barros e Silva (Leco) e Carlos Miguel Aidar.
Na votação, será necessária maioria qualificada: dois terços do colegiado, ou 171 dos 255 votos, para afastar Casares provisoriamente. Caso isso ocorra, uma Assembleia Geral de sócios deverá referendar a decisão em até 30 dias, por maioria simples.
Se o presidente for destituído, o vice Harry Massis Junior assumirá o cargo até a eleição indireta de 2026, definida pelo Conselho Deliberativo.
Crise alimentada por escândalos
O racha ocorre em meio a dificuldades financeiras e a uma série de episódios que enfraqueceram a gestão. Em outubro, vazou um áudio sobre a venda irregular de um camarote no MorumBis durante shows. Os diretores Mara Casares e Douglas Schawrtzmann se afastaram, enquanto o Ministério Público paulista abriu inquérito e o clube iniciou sindicâncias interna e externa.
Paralelamente, a Polícia Civil investiga suspeitas de desvios de valores em negociações de atletas. Esses casos impulsionaram a oposição e ampliaram a pressão para que Casares deixe o comando tricolor.


