O Estádio Conde Rodolfo Crespi, conhecido como Rua Javari, localizado na Mooca, em São Paulo, recebeu autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) para substituir o gramado natural por um piso sintético. A aprovação ocorreu em reunião realizada nesta segunda-feira.
A medida era necessária porque o estádio, casa do Juventus, é tombado pelo órgão municipal. A redação original do tombamento exigia a preservação da “forração vegetal”; agora, o texto passa a contemplar também a opção “vegetal ou sintética”, permitindo a troca.
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Projeto e especificações técnicas
Desenvolvido pela empresa Soccer Grass — responsável pelo atual gramado do Allianz Parque —, o projeto prevê um campo com 105 × 68 metros, totalizando 8 .176 m². O piso contará com sistema eletrônico de irrigação para controle de temperatura, limpeza e dissipação de carga estática, sendo necessário molhar o sintético apenas nos dias de jogo.
Desde 2011, a Rua Javari é utilizada exclusivamente para partidas oficiais, condição imposta pela Federação Paulista de Futebol (FPF) para preservar o campo. Naquele ano, o estádio recebeu a grama natural que havia sido retirada do antigo Palestra Itália, antes da construção da arena do Palmeiras.
SAF, dívidas e disputa sobre gramados
Transformado em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em 2024, o Juventus enfrenta pendências financeiras que dificultam projetos maiores. Em 2022, a Prefeitura de São Paulo destinou R$ 2,3 milhões para reformas que não foram executadas; a verba, segundo investigação, teria sido usada para pagar dirigentes, gerando um débito de R$ 5,3 milhões. Para viabilizar uma arena nos moldes planejados pela SAF, ainda seria preciso arcar com outorga onerosa estimada em R$ 19.798.393,77.
A discussão sobre gramados sintéticos ganhou força recentemente. O Flamengo enviou à CBF dez propostas de governança e sustentabilidade, entre elas o fim dos pisos artificiais, alegando impacto na condição física dos atletas e diferença de custos de manutenção. Jogadores como Neymar, Lucas Moura e Thiago Silva também lideraram campanha contrária ao sintético no início do ano.
Apesar das controvérsias, a liberação do Conpresp abre caminho para o início das obras de substituição do gramado e do sistema de drenagem na Rua Javari, independentemente da quitação das dívidas, conforme orientação da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

