A discussão sobre racismo no futebol europeu ganhou novo capítulo após a partida do Benfica pela Champions League. Em entrevista coletiva concedida nesta terça-feira (17), o técnico José Mourinho afirmou que não pretendia chamar Vinicius Júnior de “mentiroso”, mas questionou por que episódios de ofensa ocorrem “sempre com o mesmo jogador” e sugeriu que o atacante do Real Madrid deveria comemorar gols de forma diferente, citando Di Stéfano, Eusébio e Pelé como exemplos.
A declaração foi feita no contexto da acusação de que o atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, teria chamado Vinicius de “mono” (“macaco”, em espanhol) durante o jogo. A Uefa é cobrada a investigar o caso por meio de análise de imagens, leitura labial e depoimentos.
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Reação de jogadores em campo
Kylian Mbappé relatou ter ouvido o insulto repetido “cinco vezes” e defendeu punição ao camisa 25 do clube português. “Esse jogador do Benfica não merece mais disputar a Champions”, afirmou o francês.
Debate na imprensa europeia
O jornal espanhol Marca estampou na edição impressa de quarta-feira a manchete “Vinicius, verdugo y víctima”, destacando que o brasileiro foi decisivo em campo e também alvo de ofensa racial. Em Portugal, o diário A Bola concentrou a cobertura na comemoração de Vinicius e na expulsão de Mourinho, mas não abordou diretamente o teor racista da acusação.
Pressão sobre o Benfica
O clube lisboeta rejeita a pecha de racista e costuma lembrar a estátua de Eusébio, seu maior ídolo, na entrada do Estádio da Luz. A direção ainda não se pronunciou publicamente sobre as falas de Prestianni, mas internamente pretende negar qualquer conduta discriminatória.
Organizações antirracistas e entidades ligadas ao futebol cobram que a Uefa aplique o protocolo disciplinar e esclareça o episódio. Até a noite desta terça-feira, o órgão máximo do futebol europeu não havia divulgado prazo para conclusão da apuração.


