A jornalista Milly Lacombe afirmou que o Internacional deveria dispensar o técnico Ramón Díaz e seu auxiliar, Emiliano Díaz, após a frase “Futebol é para homens, não é para meninas”, proferida pelo treinador argentino na entrevista coletiva que se seguiu ao empate contra o Bahia, no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro.
No texto assinado em sua coluna, publicado em 9 de novembro de 2025, Lacombe classificou a declaração como “violenta” e “misógina” e criticou a ausência de reação dos jornalistas presentes à coletiva. Segundo a colunista, cerca de duas dezenas de profissionais acompanharam a entrevista, mas nenhum deles contestou a fala do comandante colorado.
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A autora ressaltou que, ao afastar simbolicamente as torcedoras do ambiente do futebol, o técnico transmite uma mensagem de exclusão às mulheres que acompanham o esporte. Ela também lembrou que o Senado já aprovou um projeto de lei que tipifica a misoginia como crime, argumento utilizado para reforçar o pedido de punição.
Lacombe citou ainda um episódio anterior envolvendo o treinador. Quando dirigia o Vasco, Díaz afirmou que mulheres não teriam condições de trabalhar como árbitras de futebol. Para a colunista, a reincidência justificaria a rescisão imediata do contrato do argentino por justa causa.
A jornalista defendeu que clubes incluam cláusulas contra manifestações discriminatórias em contratos de trabalho e cobrou que homens se posicionem contra o machismo no esporte. “Lutar contra a misoginia e o machismo é tarefa de homens assim como a luta antirracista é tarefa da branquitude”, escreveu.
Até a publicação da coluna, o Internacional não havia se manifestado oficialmente sobre a fala de Ramón Díaz.


