Nova política exige teste genético para detectar o gene SRY; medida visa garantir “justiça, segurança e integridade” e será aplicada obrigatoriamente nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.
GENEBRA, SUÍÇA – A decisão, tomada após 18 meses de revisões científicas e consultas a especialistas, marca o maior endurecimento de regras na história recente do Movimento Olímpico. O COI abandonou a diretriz de 2021, que focava na inclusão e nos níveis de testosterona, para adotar um critério estritamente cromossômico.
Os Pontos Principais da Nova Regra (26/03/2026)
- Triagem Genética: A elegibilidade para a categoria feminina agora será determinada por um teste único de detecção do gene SRY (ligado ao cromossomo Y). O exame pode ser feito via saliva, sangue ou swab bucal.
- Restrição Total: Mulheres trans e atletas com algumas Diferenças de Desenvolvimento Sexual (DSD) que possuam o gene SRY estão impedidas de competir em provas femininas.
- Justiça Esportiva: Kirsty Coventry justificou a medida afirmando que “nos Jogos Olímpicos, as menores margens fazem a diferença entre a vitória e a derrota” e que não seria justo permitir que “homens biológicos” competissem contra mulheres biológicas devido a vantagens físicas permanentes de força e resistência.
- Sem Efeito Retroativo: A regra passará a valer a partir dos Jogos de Los Angeles 2028. Resultados de edições anteriores, como os de Paris 2024 ou Tóquio 2020, não serão alterados.
O Contexto Político e Científico
- Alinhamento Global: A decisão do COI ocorre em um momento de forte pressão política, inclusive com menções a ordens executivas nos EUA (país sede da próxima Olimpíada) que visam “manter homens fora dos esportes femininos”.
- Categorias Abertas: Para não excluir totalmente os atletas trans do Movimento Olímpico, o COI sugere que as federações criem “categorias abertas” ou permitam a participação em categorias masculinas ou mistas.
- Reação de Atletas: Enquanto grupos de defesa das mulheres celebraram a medida como uma “vitória da biologia”, associações de direitos humanos e grupos LGBTQIA+ classificaram a decisão como um “retrocesso discriminatório” que fere a dignidade dos atletas.
No Brasil, a notícia repercutiu imediatamente no meio jurídico e esportivo. Recentemente, o STF chegou a intervir para garantir a participação de atletas trans em torneios nacionais (como a Copa Brasil de Vôlei), mas a nova diretriz do COI deve pressionar o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e as confederações brasileiras a alinharem seus estatutos às normas internacionais para evitar desclassificações em ciclos olímpicos futuros.
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