Um dia depois da derrota por 2 a 0 para o Ceará, pela 3ª rodada da Copa do Nordeste, o Fortaleza tornou pública a gravidade de sua situação financeira. Em vídeo de oito minutos divulgado na terça-feira (9/4), o CEO Pedro Martins respondeu à crítica feita pelo capitão Juan Brítez, no gramado da Arena Castelão, e resumiu o momento do clube: “Acabou o dinheiro? Acabou o dinheiro”.
Crítica em campo
Brítez, zagueiro e capitão tricolor, cobrou a direção logo após o clássico, disputado no domingo (8/4). “Isso aqui não é uma empresa, é um time de futebol. Tem que ir todo mundo junto”, declarou o argentino, dirigindo-se à Sociedade Anônima do Futebol (SAF) que administra o Fortaleza e ao próprio CEO.
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Receita recorde virou endividamento
Em 2025, o clube projetou arrecadação recorde de R$ 387 milhões, impulsionada pela presença na Libertadores, patrocínios fortes e 40 mil sócios adimplentes. Mesmo assim, o passivo total saltou para R$ 212 milhões ao fim de 2024, alta de R$ 84 milhões em relação ao ano anterior.
O balanço apontou dois fatores principais para o aumento da dívida: compras de direitos econômicos de atletas, que passaram de R$ 42,6 milhões para R$ 77,9 milhões, e empréstimos bancários, que subiram de R$ 627 mil para R$ 46,4 milhões. Além disso, houve mútuo de R$ 31,6 milhões entre a SAF e a associação civil.
Ano de cortes duros
Anunciado em 28 de dezembro de 2025 para substituir Marcelo Paz, Pedro Martins recebeu a missão de reestruturar o futebol. A primeira meta foi reduzir a folha salarial profissional de R$ 10 milhões para R$ 4,6 milhões. Contratos considerados pesados estão sendo revistos ou rescindidos, mas o dirigente não especificou quais.
Orçamento de 2026 depende de novos empréstimos
Já na Série B, o Fortaleza prevê receita total de R$ 225 milhões para 2026, a maior da segunda divisão. Desse valor, R$ 42,4 milhões devem vir de novos financiamentos, parte essencial da estratégia de “rolagem” para conter juros.

Imagem: Internet
Mesmo com a estimativa otimista de R$ 182,7 milhões em receitas operacionais — incluindo venda de atletas e manutenção de sócios —, o clube admite que a execução dependerá do comportamento do mercado e do desempenho esportivo.
Pronunciamento do CEO
No vídeo, o executivo destacou a dificuldade de adaptação após sete temporadas consecutivas na Série A. “Alguns jogadores assimilam mais rápido, outros sofrem mais. Mas essa é a realidade do Fortaleza na Série B”, afirmou, reforçando a necessidade de ajustes imediatos.
A próxima atualização detalhada das contas sairá até 30 de abril, quando o novo demonstrativo contábil, auditado de forma independente, será apresentado aos sócios e ao mercado.