O coordenador da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rodrigo Martins Cintra, afirmou nesta segunda-feira (10) que a busca por um critério totalmente uniforme nas decisões dos árbitros é “utópica” diante da complexidade do futebol nacional. A declaração ocorreu durante a primeira reunião do grupo de trabalho criado pela entidade para aprimorar o desempenho da arbitragem.
Formado por dirigentes, ex-árbitros e especialistas, o grupo terá dois meses para apresentar propostas. Entre os principais eixos estão a implantação do VAR semi-automático a partir de 2026, a ampliação dos programas de capacitação e a futura profissionalização dos juízes.
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“São 32 cabeças diferentes”
Segundo Martins Cintra, a dificuldade de padronizar critérios aumenta porque o Campeonato Brasileiro se estende por dez meses e conta com 32 árbitros escalados ao longo de 38 rodadas. “Uniformizar totalmente é quase impossível porque lidamos com seres humanos”, resumiu.
Embora reconheça a distância entre interpretações em lances semelhantes, o dirigente defendeu que o foco deve ser reduzir essas diferenças por meio de estudos e orientações constantes. “Temos instruções da Fifa e, pela ciência, é possível aproximar critérios”, disse.
Capacitação contínua
O plano da CBF inclui quatro premissas, entre elas a educação permanente. Seis cursos intensivos já foram realizados neste ano, e a ideia é ampliar o uso de vídeos, testes e sessões de perguntas e respostas com técnicos dos clubes para esclarecer regras, como a de toque de mão.
VAR semi-automático em 2026
O presidente da CBF, Samir Xaud, confirmou que o VAR semi-automático será utilizado no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil a partir de 2026. A entidade negocia com a empresa Genius, responsável pelo sistema adotado na Premier League, mas ainda não há contrato assinado.
Xaud reconheceu falhas recentes, mas discordou de que a arbitragem brasileira seja a pior. “Erros aconteceram, sim, e estamos investindo para disponibilizar todas as ferramentas necessárias até atingirmos a excelência”, afirmou.
Ao fim dos trabalhos, o grupo deverá apresentar um relatório com sugestões de curto, médio e longo prazos, incluindo o caminho para a profissionalização dos árbitros.
