Aos 39 anos e no Cruzeiro, o goleiro relembra perda de posição em 2016, problemas com álcool e um quadro depressivo que exigiu acompanhamento profissional. Ele destaca papel de Tite e pede atenção profissional aos atletas.
Aos 39 anos, o goleiro Cássio revisitou fases delicadas da carreira e falou sobre a importância de tratar a saúde mental no esporte. Em relato sobre episódios que marcaram sua trajetória, o jogador do Cruzeiro recordou problemas com álcool, perda de posição em 2016 e, mais tarde, um quadro de depressão que exigiu acompanhamento profissional.
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No início da reportagem, Cássio lembrou do momento em que percebeu que o consumo de álcool comprometia seu rendimento. Segundo o texto, o então treinador Tite teve papel decisivo para que o goleiro compreendesse a gravidade da situação. Na sequência da perda da titularidade, o goleiro Walter assumiu a posição no Corinthians.
“Algumas pessoas já tinham me alertado e eu não conseguia enxergar. Eu acabei perdendo a minha posição em 2016 e tive uma conversa bem franca com o Tite, que era treinador na época. Eu lembro que no começo, quando ele me tirou do time, eu não aceitei. Eu achei que que que ele estava errado. Mas, com o tempo, você vai vendo que estava indo para o fundo do poço.”
O relato aponta que, após conversas com a esposa Janara e com o treinador, Cássio reconheceu os prejuízos causados pelo álcool e decidiu mudar de comportamento para preservar a carreira. Em seguida, o arqueiro voltou a conquistar títulos pelo Corinthians: campeão brasileiro em 2017 e paulista em 2019.
Mais adiante, o texto descreve um novo período difícil: críticas, queda de rendimento e ameaças que também atingiram a família do jogador. O clube, segundo o material, ofereceu amparo diante dessas circunstâncias.
“O elogio em excesso acaba te atrapalhando, assim como a crítica excessiva também te leva a outras situações. Eu tive alguns problemas de ameaças. A minha esposa também foi ameaçada em um certo momento lá no clube. O clube me deu o amparo.”
O material também relata um episódio de choro espontâneo antes de uma partida, quando o jogador estava em um momento de grande carga emocional. O treinador Antônio de Oliveira teria se surpreendido com a cena, e o goleiro acabou participando da partida apesar de não estar bem.
“Eu estava num momento tão difícil assim que eu não conseguia evoluir. Eu lembro até um episódio que aconteceu que eu fui aquecer num jogo, acabei meu aquecimento, sentei e não consegui controlar. Eu comecei a chorar espontaneamente.”
Na reta final do contrato com o Corinthians, em 2024, Cássio conviveu com críticas, vaias e atuações abaixo do esperado. Nesse contexto, procurou ajuda profissional: começou com psicóloga, foi encaminhado a um psiquiatra e iniciou tratamento que, segundo ele, ajudou a reverter a situação.
“E eu confesso que tipo eu sempre fui meio: ah, psicólogo? Mas foi a melhor escolha que eu fiz: achar uma profissional que eu respeitava e ela me ajudou muito, me encaminhou para um psiquiatra e aí a gente começou um tratamento.”
Já no Cruzeiro, o goleiro teve desabafos públicos sobre o tema, inclusive após vitória sobre o Vasco, quando criticou a postura de quem busca humilhar atletas. Cássio destacou que a recuperação é um processo e que o sofrimento não se resolve com dinheiro.
“O cara que passa por essa situação, não quer saber de dinheiro, não pensa em dinheiro. Essa é a última coisa que pensa. Não é dinheiro. Você não vai numa loja comprar um carro novo e vai melhorar da depressão.”
Após esses episódios, o jogador passou a defender a importância dos cuidados com a saúde mental, usando a própria experiência para incentivar atletas e outras pessoas a buscar acompanhamento profissional e quebrar o preconceito que ainda existe em torno do tema.
Com informações de ge.

