O ex-jogador e comentarista Walter Casagrande Júnior rebateu declarações de Filipe Luís, que classificou como “isolado” o episódio de racismo sofrido por Vinicius Jr. na Espanha. Para Casagrande, a fala do atual técnico do Flamengo normaliza ataques racistas e ignora a recorrência desses crimes no futebol e na sociedade.
Em texto publicado nesta sexta-feira (20), Casagrande questionou diretamente Filipe Luís, lembrando outros episódios envolvendo torcidas argentinas e brasileiras:
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- ofensas racistas dirigidas ao ex-atacante Grafite;
- gestos de macaco feitos por torcedores argentinos contra torcidas de clubes do Brasil;
- a prisão de uma advogada argentina no Rio de Janeiro após imitar um macaco para funcionários brasileiros de um bar;
- as injúrias raciais sofridas pelo garoto Luighi, do Palmeiras, em partida contra o Cerro Porteño no Paraguai;
- as ofensas ao goleiro Aranha em 2014, em duelo entre Grêmio e Santos, em Porto Alegre.
O comentarista destacou que, por ser branco, Filipe Luís não sentiria a mesma dor de quem é alvo de racismo e, portanto, não deveria minimizar o problema. Para Casagrande, nenhum episódio de discriminação deve ser tratado como pontual.
Casagrande citou ainda o atacante Gianluca Prestianni, do Benfica, que teria ofendido brasileiros, como exemplo de como o racismo, segundo ele, está “enraizado” na sociedade argentina e também na brasileira. “Somos um povo racista, xenofóbico, homofóbico, transfóbico, machista e agressor em relação às mulheres”, escreveu.
O ex-jogador sugeriu que Filipe Luís aprofunde o tema lendo o livro “Pequeno Manual Antirracista”, de Djamila Ribeiro, e assistindo a palestras do ex-goleiro Aranha. Para Casagrande, compreender o impacto das agressões é essencial na luta antirracista.
“Nenhum ataque racista é um caso isolado”, concluiu o comentarista.


