A jogadora de vôlei de praia Carol Solberg celebrou publicamente a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro logo após conquistar a medalha de bronze no Mundial, sábado (23), em Adelaide, Austrália. A manifestação, feita durante entrevista ainda na arena de competição, reacendeu o debate sobre limites de posicionamentos políticos de atletas.
Declaração durante a entrevista
Falando em inglês e português, Solberg ergueu a bandeira do Brasil, classificou Bolsonaro como “pior presidente de todos os tempos” e afirmou que o dia era “incrível” para ela e para o país. A atleta disse estar “orgulhosa” de comemorar a prisão do ex-presidente, detido na véspera no Brasil.
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Neutralidade esportiva versus direitos humanos
O episódio dividiu especialistas. Parte do movimento esportivo defende a neutralidade, amparada no artigo 50.2 da Carta Olímpica, que veta manifestações político-partidárias com o objetivo de preservar o foco na competição. A corrente contrária sustenta que a liberdade de expressão é um direito humano fundamental e não pode ser restringida por regulamentos privados, sobretudo quando envolve temas de democracia e dignidade humana.
Possíveis sanções
Para o advogado Carlos Henrique Ramos, a fala de Solberg ocorreu “na própria praça de desporto”, o que poderia levar a punição da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), como advertência, multa ou suspensão. Ele lembra que, desde 2021, o COI flexibilizou as regras, permitindo manifestações em zonas mistas e redes sociais, mas manteve restrição dentro das áreas de competição.
O também advogado Rafael Teixeira Ramos reconhece que a Carta Olímpica veda manifestações políticas, mas ressalta a existência de dispositivos que promovem a dignidade humana e a democracia. Para ele, órgãos julgadores podem considerar exceções, já que o alvo do protesto “está condenado e preso”, o que, em tese, poderia sustentar absolvição da atleta.
Histórico de reincidência
Em outubro de 2020, Solberg foi advertida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após gritar “Fora, Bolsonaro” ao vivo durante o Circuito Nacional de Vôlei de Praia. Naquele processo, a Procuradoria pedia multa de R$ 100 mil e suspensão de seis etapas, mas a atleta acabou absolvida.
Prisão de Jair Bolsonaro
Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal no sábado (22) após tentar violar a tornozeleira eletrônica que utilizava. Em audiência de custódia, alegou ter sofrido um surto e negou tentativa de fuga. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) analizará a manutenção da prisão em sessão marcada para esta segunda-feira (25), das 8h às 20h.
A decisão sobre eventual punição a Carol Solberg poderá influenciar futuros limites entre manifestações políticas de atletas e a chamada neutralidade esportiva em competições internacionais.


