Como parar Erling Haaland, o gigante da Noruega? Enquanto os holofotes estão voltados para Haaland e Martin Ødegaard, uma mudança promovida pelo técnico Ståle Solbakken para o mata-mata da Copa do Mundo coloca em cena um personagem que sintetiza a identidade do futebol norueguês: Patrick Berg entra em campo carregando um sobrenome histórico naquele país.
O volante de 28 anos se tornou o primeiro jogador da história da seleção norueguesa a representar três gerações da mesma família. Essa herança foi iniciada pelo avô Harald Berg, que atuou entre os anos 1960 e 1980, e continuada pelo pai Ørjan Berg, que jogou entre os anos 1980 e 2000.
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Nascido em Bodø, Berg jogou praticamente a vida inteira no Bodø/Glimt. O avô Harald é considerado um dos maiores jogadores da história do clube e da seleção norueguesa. O pai Ørjan também vestiu a camisa da Noruega e atualmente trabalha no clube como chefe do departamento comunitário. Tios como Runar e Arild igualmente marcaram época no Bodø/Glimt, transformando a família Berg em uma dinastia do futebol nórdico.
A imprensa norueguesa costuma tratar o sobrenome como patrimônio esportivo nacional, enquanto Patrick se tornou o elo que mantém viva essa tradição na seleção. Ele é uma ligação com raízes profundas na história norueguesa.
Criado nas categorias de base do Bodø/Glimt, Patrick Berg chegou a ser vendido ao Lens, da França, por 4,5 milhões de euros em dezembro de 2021. Contudo, não se adaptou e, apenas oito meses depois, decidiu retornar ao clube de origem, em agosto de 2022, em um movimento que causou surpresa, mas que é visto como um dos pilares do sucesso recente do Bodø/Glimt.
“Pessoalmente, tenho uma longa história com o clube, assim como minha família. Sinto que o sangue do Glimt corre nas minhas veias”, declarou Berg em uma entrevista em 2021.
O retorno custou cerca de 4 milhões de euros e se transformou na maior contratação já realizada por um clube da Noruega. Berg reassumiu o comando do meio-campo e se tornou capitão do Bodø/Glimt, ajudando o time a conquistar quatro títulos nacionais nas últimas seis temporadas, alcançar uma semifinal de Liga Europa em 2024/2025 e chegar às oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa em 2025/2026, sendo a sensação da competição.
Em uma entrevista ao site VG, Berg contou que a possibilidade de estar na seleção pesou na decisão de retornar à Noruega. Sem espaço no Lens, ele temia deixar de ser convocado.
“Se eu tivesse ido para lá sem ser jogador de seleção, talvez tivesse pensado em ter paciência. Mas, quando você é jogador de seleção, não tem tempo”, afirmou.
Iniciando no banco, mas entrando nos dois primeiros jogos desta Copa, Berg ganhou a oportunidade como titular na derrota para a França e permaneceu na equipe principal na vitória sobre Senegal, que classificou a Noruega para as oitavas de final.
A Noruega de Berg enfrentará o Brasil nas oitavas de final, em jogo que ocorrerá neste domingo, às 17h (de Brasília), no estádio de Nova York / Nova Jersey, nos Estados Unidos. Em um time repleto de astros que atuam nas principais ligas da Europa, o “norueguês raiz” chega ao maior jogo de sua carreira com um sobrenome que atravessa mais de meio século da história do futebol do país.


