Ex-Fluminense, Dori atua há 15 anos no futebol asiático e conta como bengaleses decoram casas e carros pelas cores do Brasil. A febre copa-mundialista surpreende até quem já viu muito pelo mundo.
Dori, ex-jogador do Fluminense, compartilha suas experiências após 15 anos atuando no futebol asiático, passando por países como China, Índia e atualmente Bangladesh. Com 36 anos, ele aproveita o clima de Copa do Mundo para vivenciar a intensa paixão dos torcedores bengaleses pelo Brasil, que se manifesta de maneira surpreendente durante os torneios internacionais.
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O jogador revela que, em Bangladesh, a torcida por seleções como Brasil e Argentina é tão fervorosa que muitos decoram suas casas e carros nas cores das equipes. “Com certeza, eu bato palma. A torcida deles pelo Brasil e pela Argentina é surreal. Eles pintam apartamentos, casas e carros. Até brigam entre eles na hora da competição. Não sou a favor da violência, mas é uma loucura”, afirma Dori, destacando a admiração que os locais têm por ícones do futebol brasileiro como Pelé, Ronaldo, Ronaldinho, Cafu e Neymar.
“Teve um torcedor que me pediu uma camisa do Neymar de presente. Eu disse que poderia levar uma do Santos, com o 10 nas costas e Neymar escrito. Mas, assinada, fica difícil (risos). Também pedem a do Fluminense por causa do Marcelo.”
De férias no Brasil, Dori se prepara para retornar ao Bashundhara Kings, equipe que lidera o campeonato em Bangladesh. Ele relata algumas situações curiosas que viveu, como o transporte até os estádios, que muitas vezes é feito em charretes ou bicicletas. “Bangladesh não tem estádios bonitos e grandes como no Brasil. São campos pequenos, muitas vezes universitários, em ruas apertadas, onde passam carros e triciclos. Nós vamos de ônibus ou van até certo local e, depois, três ou quatro jogadores vão de bicicletinha até o estádio. O trajeto dura cerca de oito minutos. Chega a ser até engraçado”, comenta.
Dori também menciona os desafios enfrentados em relação à logística dos jogos, onde mudanças de horários ocorrem frequentemente, alterando sua rotina. “Já aconteceu de ter jogo marcado para 14h, e eles mudarem o horário para 16h, então temos que ficar esperando no vestiário. Às vezes, nem vestiário tem, e precisamos ficar na arquibancada. Aceitar isso vai muito do gosto e da vaidade do jogador”, explica.
Além disso, o jogador recorda momentos marcantes na China, onde foi o estrangeiro com maior tempo na liga local. Ele testemunhou a ascensão e a queda dos investimentos no futebol chinês, mas acredita que, para ele, pouco mudou financeiramente, pois sua trajetória sempre foi de crescimento gradual. “Para ser bem sincero, financeiramente não mudou, não. Comecei de baixo para cima. Mas, para jogadores de grandes nomes que foram para lá, fez diferença”, analisa.
Em 2020, Dori se tornou o primeiro atleta brasileiro a contrair Covid-19, vivendo a situação em um momento de incertezas. “Na época, pensei que não conseguiria mais jogar bola. Foi um susto enorme. Estávamos na pré-temporada na Tailândia e, ao voltar para a China, eu fui o único a ficar com o resultado positivo. A sensação foi de desespero, mas os médicos me tranquilizaram e cuidaram muito bem de mim”, recorda.
A passagem por seu clube formador, o Fluminense, também é um ponto importante na história de Dori. Embora tenha atuado em apenas dois jogos pelo clube, ele guarda gratidão e destaca a importância da formação recebida. “Eu tenho um carinho muito grande pelo Fluminense. Sou cria da base, o clube me formou como jogador e como homem. Mas achava que eles poderiam ter tido mais paciência comigo”, conclui.


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