O técnico do Uruguai disparou contra as interrupções obrigatórias para hidratação no Mundial. Para Bielsa, dividir o jogo em quatro tempos distorce a essência e a cultura do futebol.
Durante a preparação da seleção do Uruguai para a segunda rodada do Grupo H, Marcelo Bielsa expressou suas preocupações sobre as pausas obrigatórias para hidratação, uma das novidades da atual Copa do Mundo. O técnico argentino, conhecido por sua abordagem direta, afirmou que essas interrupções alteram a essência do jogo.
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Em uma entrevista coletiva, Bielsa declarou:
“Jogar quatro tempos em vez de dois altera a concepção e a cultura que foram construídas para interpretar o futebol. Essa mudança não acrescenta nada e tira muito”
. Segundo ele, a divisão das partidas em quatro momentos, devido às pausas, modifica a lógica histórica do futebol, afetando não apenas o aspecto físico, mas também a maneira como o esporte é jogado e apreciado.O treinador enfatizou que
“Quando o jogo foi dividido em quatro tempos, ninguém considerou o efeito que isso poderia ter sobre o que faz do futebol um esporte que inspira paixão. Pensaram em outros tipos de repercussões”
. Essa crítica não é isolada, já que outros profissionais do futebol também levantaram preocupações a respeito da nova norma. O zagueiro Virgil van Dijk, capitão da seleção da Holanda, já havia demonstrado seu descontentamento e Didier Deschamps, técnico da França, também criticou a medida antes do início do torneio.As pausas, que duram cerca de três minutos cada, foram implementadas pela Fifa para garantir a saúde dos jogadores em função do calor das sedes nos Estados Unidos, México e Canadá. Contudo, a implementação dessas pausas tem gerado um debate sobre suas consequências no desempenho das equipes.
Um levantamento realizado após a primeira rodada do Mundial revela que as pausas influenciam diretamente o andamento das partidas. De acordo com dados da plataforma Gato Mestre, 35% das interrupções para hidratação resultaram em mudanças significativas no panorama dos jogos. Durante os 24 jogos da primeira rodada, 17 deles (35%) apresentaram alteração no desempenho das equipes após as pausas, afetando tanto o volume ofensivo quanto o controle do jogo e até mesmo o placar.
O Uruguai está programado para voltar a campo neste domingo, às 19h (de Brasília), enfrentando Cabo Verde, e o impacto das pausas será um ponto de observação importante para o desenrolar da partida.



