A tenista fará cirurgia no ombro esquerdo e prevê cerca de quatro meses de recuperação. Entre setembro e dezembro, cursará Sports Management em Harvard e reavalia a volta ao circuito enquanto cuida da saúde.
Campinas (SP), 10/09/2026 — Bia Haddad Maia, 30 anos, ainda não sabe quando voltará ao circuito profissional de tênis. Em período de pausa voltado ao cuidado da saúde física e mental, a tenista fará uma cirurgia no ombro esquerdo, com previsão de aproximadamente quatro meses de recuperação, e aproveitará parte do afastamento para cursar Sports Management em Harvard entre setembro e dezembro.
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Mais do que a recuperação física, a atleta usa o intervalo para repensar a relação com o esporte e projetar o futuro da carreira. A indefinição sobre o retorno ganha força diante da combinação entre a necessidade de tratamento e um processo de reflexão pessoal que ela própria descreve como profundo.
“Entendi que não era eu a mudar. Talvez carregar muita coisa no tênis durante muito tempo. Foi uma soma de fatores”,
Bia disse que ainda tenta compreender o peso das experiências acumuladas ao longo da trajetória profissional e que muitas das dificuldades enfrentadas não foram percebidas por quem acompanhava sua carreira de fora.
“Eu pensei e ainda penso que eu aguentei coisas que as pessoas não têm ideia. É difícil ter a dimensão do que eu realmente passei. Eu ainda estou no momento em que paro e fico conflitando muito isso na minha cabeça.”,
A tenista recordou conquistas relevantes da carreira para evidenciar a tensão entre capacidade esportiva e bem‑estar no momento: já derrotou Elena Rybakina em duas ocasiões e também superou Iga Swiatek e Madison Keys. Esses resultados reforçam a frustração de não saber quando será possível retornar ao nível exigido pelo circuito.
“É muito duro. Eu vejo a Rybakina, número 1 do mundo, e já venci ela duas vezes. A Keys eu já venci, a Iga… É muito duro você saber que pode e, naquele momento, não está sendo possível.”,
Você pode gostarPatrocinado · MGIDApesar das incertezas, Bia não fala em abandonar o tênis e afirma manter uma relação afetiva com o esporte, embora cogite buscar o sonho por caminhos diferentes. A jogadora afirma que não conseguiria deixar de acompanhar partidas de tênis.
“Eu só não aceitaria nunca mais ver um jogo de tênis. Isso, para mim, é inadmissível. Porque o tênis é o esporte que eu escolhi, porque eu amo.”,
Ao longo da carreira, ela enfrentou diversos obstáculos: cirurgia na coluna aos 16 anos, suspensão por doping e um episódio com vidro quebrado. Hoje, Bia enxerga a saúde mental como um desafio distinto, comparando o impacto psicológico a uma lesão invisível que interfere no rendimento.
“Agora, para mim, é muito duro, porque a parte mental é como se fosse uma lesão, mas é invisível. De fato, eu estou aprendendo muito nesse momento e, para mim, agora, esse pensamento é: Quando voltar?”,
Sobre a dor no ombro, ela relata incômodo que já vinha ocorrendo há mais de dois anos, especialmente ao executar voleios e smashes. A previsão de recuperação de cerca de quatro meses deve prolongar a ausência das competições, enquanto o curso em Harvard ocupará parte do período entre setembro e dezembro. Entre a cirurgia, o tratamento e os estudos, Bia segue em processo de reflexão sobre o futuro da sua carreira.

