Um arquivo com assinatura eletrônica de Rodolfo Landim, então presidente do Flamengo, confirma a concordância do clube com o critério de rateio por audiência aprovado pela Libra em 6 de setembro de 2024. O registro, obtido pela reportagem, demonstra que o dirigente rubricou o modelo que determina como a fatia de receitas de transmissão será repartida entre os integrantes do bloco.
Criterio recebeu unanimidade
Na reunião de setembro de 2024, representantes de Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Santos, Atlético-MG, Grêmio, Bahia, Vitória e Red Bull Bragantino aprovaram por unanimidade a fórmula que leva em conta a soma dos telespectadores de cada clube como mandante e visitante, dividida por dois, em relação ao total de público da Série A na respectiva plataforma.
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Com a regra definida, os clubes assinaram em 4 de dezembro de 2024 o contrato de venda dos direitos com o Grupo Globo, que incorporou integralmente o modelo enviado pela Libra. O documento conta com todas as assinaturas, incluindo a do Flamengo.
Mudança de gestão e de posição
Em 2025, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, assumiu a presidência rubro-negra e passou a questionar o acordo. Segundo a nova administração, o clube deixaria de receber cerca de R$ 100 milhões anuais sem a antiga garantia mínima do pay-per-view. Para tentar renegociar, o Flamengo escolheu o ex-executivo da Globo Marcelo Campos Pinto como representante nas tratativas internas da Libra.
A partir daí, o clube passou a defender que a divisão considere o cadastro de torcedores nas plataformas de assinatura, sustentando que esse critério refletiria melhor o tamanho de sua torcida. Os demais membros argumentam que a audiência efetiva das partidas é o fator mais justo, pois envolve os dois times em campo.
Tentativas de acordo fracassam
Reuniões realizadas em 7 de maio e em agosto de 2025 não alcançaram consenso. Sem unanimidade, a Libra manteve o entendimento de que vale o que foi pactuado em 2024.
Disputa chega aos tribunais
Sem acordo, o Flamengo acionou a Justiça. Após indeferimento em primeira instância, o clube obteve liminar no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que bloqueou R$ 77 milhões da parcela de audiência a ser distribuída. A Globo ainda tem duas parcelas previstas para este ano.
A Libra afirma que o bloqueio compromete o fluxo de caixa dos demais associados, enquanto o Flamengo sustenta que o critério atual apresenta lacunas e precisa de detalhamento para ser aplicado.
Quanto cada um receberia
Com base nos números de 2024:
- Regra vigente: Flamengo receberia R$ 197,5 milhões; Palmeiras, R$ 180,3 milhões; São Paulo, R$ 160,8 milhões; Red Bull Bragantino, R$ 95,5 milhões.
- Proposta rubro-negra: Flamengo passaria a R$ 250,8 milhões; Palmeiras ficaria com R$ 179,6 milhões; São Paulo, R$ 162,9 milhões; Red Bull Bragantino cairia para R$ 84,3 milhões.
Enquanto a disputa segue nos tribunais, a Libra alega que, se o modelo não fosse claro, a Globo não teria efetuado o primeiro pagamento previsto no contrato.


