O balanço financeiro apresentado nesta quarta-feira (26) aos conselheiros do São Paulo voltou a expor saques realizados durante a gestão do ex-presidente Júlio Casares. Segundo a análise, dos R$ 11 milhões retirados, apenas R$ 4 milhões tiveram destino explicado, enquanto cerca de R$ 7 milhões permanecem sem justificativa formal.
De acordo com o documento, a parcela já esclarecida refere-se a pagamentos de arbitragem e prêmios (“bicho”) a jogadores — mesmos pontos citados pela defesa de Casares quando as investigações se tornaram públicas em janeiro.
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Auditoria independente
A revisão externa das contas foi realizada pela empresa RSM. O relatório identificou o valor não explicado no chamado “fundo promocional da presidência”, sem comprovação de finalidade ou documentação que sustente o gasto.
Conselho Fiscal recomenda reprovação
O tema também aparece em parecer assinado por Paulo Affonseca de Barros Faria Neto, membro do Conselho Fiscal. No texto, ele aconselha a reprovação das contas relativas ao exercício de 2025, citando a ressalva da auditoria sobre os R$ 7 milhões.
Para Faria Neto, a inconsistência contraria o cenário de “situação adequada” divulgado pela antiga diretoria, que apresentou faturamento recorde de R$ 1 bilhão.
Votação e possíveis impactos
Parte dos conselheiros já defendia a rejeição das contas por considerá-las “herança” da administração Casares. A gestão atual, comandada por Harry Massis Júnior, tenta aprovar o balanço argumentando que uma reprovação poderia prejudicar negociações de patrocínio e empréstimos.
A votação ocorre até as 17h desta quinta-feira (27). Não está descartada a aprovação com ressalvas, diante dos apontamentos da RSM e do relatório do Conselho Fiscal. Na primeira semana de abril, o colegiado deve analisar dois novos pedidos de crédito do clube.
Procurados, representantes de Júlio Casares não responderam até o fechamento desta edição.


