A menos de dois anos da eleição presidencial marcada para 2026, o São Paulo convive com novo abalo político. Um áudio que expõe negociação irregular de um camarote no MorumBis provocou pedidos de afastamento do presidente Júlio Casares e reacendeu disputas internas pela sucessão.
O que aconteceu
A gravação mostra conversa entre Mara Casares – ex-mulher do mandatário e diretora licenciada – e Douglas Schwartzmann, também licenciado, com a intermediária Rita de Cássia Adriana Prado. No diálogo, a dupla pressiona Rita a retirar processo judicial contra o clube por repasses não efetuados na venda do espaço para shows. O camarote em questão fica em frente ao gabinete presidencial e não costuma ser comercializado.
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Após a divulgação do áudio pelo ge, conselheiros de oposição solicitaram ao Conselho Deliberativo debate imediato sobre o afastamento de Casares. Antes, já havia circulado pedido formal de renúncia.
Ações externas
O grupo Frente Democrática em Defesa do São Paulo prepara notícia-fato ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A Procuradoria recebeu denúncia anônima por suposta gestão temerária e poderá investigar o caso.
Posicionamentos
Em nota, o clube informou que instaurará sindicância interna e tomará “as medidas cabíveis”. Casares, segundo apuração do Estadão, não cogita renunciar. Mara afirma que a gravação “foi tirada de contexto”.
Sucessão em disputa
O episódio atinge diretamente nomes cotados para a eleição de 2026. O superintendente Márcio Carlomagno, favorito de Casares, aparece citado no áudio como quem liberou o uso do camarote. Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol e agora opositor, busca viabilizar candidatura própria. Também articulam apoio Olten Ayres de Abreu (presidente do Conselho Deliberativo), Adilson Alves Martins, Vinicius Pinotti e Marcelo Pupo. As chapas devem ser oficializadas a partir de março de 2025.
Departamento Médico em foco
Paralelamente, o clube vive crise no Departamento Médico. Durante 2025, o São Paulo acumulou lesões e, recentemente, vieram à tona desentendimentos internos. Um dos pontos de atrito foi a prescrição do medicamento Mounjaro – aprovado pela Anvisa para emagrecimento apenas em junho de 2025 – a dois jogadores. Especialistas ouvidos afirmam que a relação do remédio com contusões depende do perfil de cada atleta, mas o uso em profissionais, que geralmente têm IMC abaixo de 27 kg/m², destoa da recomendação oficial. Falhas na cadeia de comando culminaram em demissões de integrantes do departamento.
Próximos passos
Com a investigação interna em andamento e possível apuração do MP-SP, a gestão tenta conter desgaste político. Enquanto isso, conselheiros aguardam reunião sobre o eventual afastamento de Casares, que segue no cargo e promete concluir o mandato, válido até o fim de 2025.

