O Corinthians realizou na noite de terça-feira (2/12) a primeira audiência pública para discutir a proposta de reforma do estatuto do clube. O encontro, realizado no Teatro Corinthians, concentrou-se em dois pontos polêmicos: a exigência de diploma em Direito para futuros integrantes de uma Comissão de Ética e Integridade e a possível redução de recursos destinados às modalidades amadoras e olímpicas.
Participação limitada
Menos de 50 pessoas compareceram, entre diretores, conselheiros, associados e representantes de torcidas organizadas. A baixa presença foi criticada logo no início pelo conselheiro Caetano Blandini, do CORI (Conselho de Orientação).
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No total, 12 inscritos apresentaram sugestões e objeções aos três primeiros capítulos do anteprojeto, com exceção do artigo 21, que aborda o voto do programa Fiel Torcedor e será debatido na próxima sessão, marcada para sexta-feira (6/12). Entre os que se manifestaram estavam Herói Vicente (diretor de Inovação), Vinícius Cascone (ex-secretário-geral e ex-diretor jurídico) e Felipe Ezabella (ex-candidato à presidência do clube).
Comissão de Ética divide opiniões
A proposta de criar uma Comissão de Ética autônoma gerou discussões acaloradas. Parte dos presentes questionou a contratação de profissionais externos e a exigência de formação em Direito para associados que desejem compor o grupo. O tema dominou grande parte da audiência conduzida pelo presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior.
Por causa do número reduzido de participantes, quase todos os pedidos de “parte” após as falas foram aceitos por Tuma. Em um desses momentos, o presidente do conselho protagonizou breve desentendimento com o conselheiro Jorge Kalil, seu adversário na última eleição para o comando do órgão.
Preocupação com esportes amadores
Associados e coletivos corintianos também questionaram a recente decisão do presidente Osmar Stábile de separar os orçamentos do futebol profissional e do clube social. A medida, afirmaram, pode comprometer esportes como basquete e futsal, que precisarão buscar novas fontes de financiamento.
Falta de transmissão provoca críticas
A audiência não foi transmitida pelos canais oficiais do Corinthians. O pedido havia sido feito pela presidência do Conselho Deliberativo, mas não recebeu autorização de Stábile. A imprensa presente também foi impedida de gravar imagens; apenas um registro interno, sem previsão de divulgação, foi produzido.
Durante a sessão, Vinícius Cascone informou ter protocolado requerimento para que as próximas reuniões sejam exibidas ao público. Tuma Júnior, no entanto, afirmou que alguns conselheiros que defendem a transmissão estariam, nos bastidores, atuando contra a iniciativa.
Próximos passos
A segunda audiência ocorrerá na sexta-feira (6/12), na Neo Química Arena. O Teatro Corinthians, no Parque São Jorge, estará reservado para outro evento no mesmo dia.

