Roberto Morgado marcou o futebol brasileiro pela polêmica e carisma dentro das quatro linhas. Nos últimos dias, enfrentou a AIDS em silêncio, amparado por missionários alemães em São Paulo.
Campinas, SP, 21 de junho de 2026 – O árbitro de futebol Roberto Nunes Morgado, uma figura polêmica e carismática do esporte, foi um personagem que deixou sua marca na história do futebol brasileiro. Conhecido por sua capacidade de conduzir partidas e pelo seu exibicionismo, Morgado faleceu aos 42 anos, em abril de 1989, em condições trágicas e, lamentavelmente, esquecido por muitos.
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Durante seus últimos dias, Morgado enfrentou a dura batalha contra a AIDS, sendo assistido por uma família missionária alemã em uma casa da Cúria Metropolitana, em São Paulo. Apesar de ser diagnosticado com a doença, ele desconfiava dos resultados dos exames, acreditando que poderia estar sofrendo de meningite. Sua luta de 14 meses contra a AIDS foi repleta de dificuldades e desafios.
“Ele pesava 28 quilos quando morreu”, lembrou José Astolphi, ex-presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo e amigo próximo de Morgado, que esteve ao seu lado nos momentos mais difíceis.
Morgado era um homem magro, pesando cerca de 50 quilos quando apitava, mas sua saúde deteriorou-se rapidamente em 1989. A transferência para a Casa Bezerra de Menezes, em São Bernardo do Campo, não trouxe a tranquilidade esperada, e ele continuou a ser um desafio para os médicos, que o descreviam como uma criança ‘birrenta’. Após a ausência de apoio familiar, foi transferido para uma casa especializada em pacientes, onde, finalmente, começou a receber o carinho necessário para um tratamento mais ameno.
Os anos finais de sua vida foram marcados por profundos momentos de depressão, especialmente durante sua internação no Hospital Emílio Ribas, onde estava ao lado de outros pacientes terminais. Morgado, que era bissexual e casado, mantinha um amor imenso pelos filhos Luciano e Luana, frequentemente perguntando sobre eles nos últimos dias.
Embora a regra do bom árbitro seja passar despercebido durante as partidas, Morgado foi uma exceção. Conhecido por seus gestos exagerados e pelo apito alto, ele se destacava em campo. Em 1978, passou por uma experiência traumática ao ser esfaqueado por um de seus auxiliares. Além disso, sua ousadia foi evidenciada em 1983, durante uma partida entre Vasco e Ferroviário (CE), quando expulsou policiais militares do gramado, levando a Comissão de Arbitragem da CBF a exigir um exame de sanidade mental.
As memórias de Morgado permanecem vivas, não apenas por suas polêmicas e bravuras em campo, mas também pela luta que enfrentou fora dele. Sua história é um lembrete da fragilidade da vida e das batalhas que muitos enfrentam em silêncio.

