O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sánchez, pediu afastamento por tempo indeterminado do Conselho Deliberativo – onde tem mandato vitalício – e do Conselho de Orientação (Cori) do clube na tarde desta quarta-feira (15).
A solicitação foi formalizada depois de o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciá-lo por apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário em investigação sobre uso irregular de cartões corporativos. A informação foi divulgada em nota assinada por Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo.
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Apuração interna continua
Na mesma comunicação, Tuma Jr. informou que a Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo seguirá apurando o caso, ouvindo ex-diretores e ex-presidentes de órgãos fiscalizadores que atuaram a partir de 2018.
Defesa contesta acusação
Em declaração ao Estadão, os advogados de Sánchez disseram estar surpreendidos com a denúncia, apontaram “inépcia” na peça acusatória e asseguraram que a inocência do ex-mandatário será demonstrada no decorrer do processo.
Gastos no cartão
A investigação teve início em junho, após o vazamento de faturas do cartão corporativo do clube nas redes sociais. Sánchez admitiu ter utilizado o cartão por engano durante viagem de Réveillon entre o fim de 2020 e o início de 2021, quando foram gastos R$ 9.416. Segundo ele, o valor foi devolvido ao Corinthians em R$ 15 mil.
O promotor Cássio Roberto Conserino apontou ainda compras de relógios na joalheria H. Stern, roupas na Brooksfield, além de despesas em postos de combustível e aplicativos de celular. “O cartão empresarial do Corinthians era utilizado como se fosse privado”, declarou Conserino em coletiva.
Afastamento de diretor financeiro
Horas antes do pedido de licença de Sánchez, o clube afastou, também por tempo indeterminado e sem remuneração, o diretor financeiro Roberto Gavioli. Ele foi denunciado pelos mesmos crimes de apropriação indébita e lavagem de dinheiro, acusado de não impedir o uso indevido dos cartões e de deixar de elaborar relatórios de prestação de contas.
Gavioli foi indicado ao cargo durante a gestão de Osmar Stábile, que assumiu o Corinthians após o impeachment de Augusto Melo, e já havia exercido a função no segundo mandato de Sánchez (2018-2020). Procurado pelo Estadão, o dirigente informou que se pronunciará em momento oportuno.
Ressarcimento e colaboração
O MP-SP calcula que Sánchez e Gavioli deverão ressarcir aproximadamente R$ 480 mil ao clube, mais 75% desse valor por danos morais. Em nota, o Corinthians afirmou acompanhar o caso de perto e colocou-se à disposição do Ministério Público, do Conselho Deliberativo, do Cori, do Conselho Fiscal e da Comissão de Ética para fornecer documentos e informações.

