O caso de Endrick no Real Madrid não é isolado. Ancelotti repete com o brasileiro um padrão já visto com Henry, Gordon e Güler no início das carreiras.
Carlo Ancelotti, um dos maiores técnicos da história do futebol, teve uma relação peculiar com jovens talentos ao longo de sua carreira. Um exemplo recente é a situação de Endrick, que teve poucas oportunidades na seleção brasileira e no Real Madrid, onde atuou sob o comando do italiano na temporada 2024/25. Com apenas oito jogos como titular, o atacante enfrenta um cenário semelhante ao de outros grandes nomes que passaram pela tutela de Ancelotti em seus primeiros anos.
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Entre os casos notáveis, destacam-se Thierry Henry, que jogou na Juventus, Anthony Gordon, no Everton, e Arda Güler, no Real Madrid. Esses jogadores tiveram suas trajetórias impactadas pela forma como Ancelotti os utilizou, ou muitas vezes, não utilizou. Em contraste, outros como Vini Jr, Kaká, Pato, Buffon e Hernán Crespo foram rapidamente promovidos pelo técnico.
Thierry Henry, um dos atacantes mais icônicos do século XXI, teve uma experiência marcante com Ancelotti na Juventus, onde foi deslocado para a ala esquerda, o que não agradou ao jogador. Em uma entrevista, Henry destacou que sua saída do clube em 1999 se deu por uma falta de respeito em uma reunião com o diretor Luciano Moggi e Ancelotti, que o informaram sobre um possível empréstimo. Ele afirmou:
“Minha resposta foi: ‘Grande confiança. Vocês confiam no Del Piero? Então emprestem ele também’. A partir dali, entendi que nunca mais jogaria por aquele time.”
Ancelotti, refletindo sobre o caso anos depois, admitiu que não percebeu o potencial de Henry como atacante e lamentou não tê-lo utilizado corretamente. “O único erro que cometi foi não tê-lo visto imediatamente como um atacante”, disse o treinador.
No Real Madrid, Endrick chegou junto com Kylian Mbappé e viu sua participação limitada, jogando em média apenas 22,8 minutos por partida. Arda Güler, também sob a gestão de Ancelotti, enfrentou desafios semelhantes, mesmo após se destacar na Copa do Mundo de 2026. O jovem turco, que sofreu uma lesão, teve média de 27 minutos em campo, mas Ancelotti sempre buscou manter o diálogo com ele.
“Mesmo quando eu não estava jogando, ele sempre se comunicava comigo. Ele me disse para ser paciente e continuar trabalhando”, revelou Güler. Anthony Gordon, reforço do Barcelona, também teve um início difícil sob Ancelotti no Everton, onde fez apenas 19 jogos. O jogador relatou uma conversa com o técnico, onde buscou entender suas oportunidades no time.
Os casos de Henry, Güler e Gordon ilustram a abordagem cautelosa de Ancelotti com jovens talentos, enquanto outros jogadores, como Kaká e Pato, foram rapidamente impulsionados em suas carreiras. A expectativa continua em torno de como Endrick poderá se desenvolver sob a tutela do experiente treinador.

