Campinas, SP, 06 – Carlo Ancelotti decidiu aceitar a renovação de contrato antes mesmo da Copa do Mundo na América do Norte e terá a missão de construir a seleção brasileira à sua maneira nos próximos quatro anos.
Contratado em maio de 2025, o técnico italiano teve pouco mais de um ano de trabalho na seleção até a Copa do Mundo, onde o Brasil enfrentou um fracasso nas oitavas de final, sendo eliminado pela Noruega. Apesar da queda precoce, Ancelotti não repensou seus planos.
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“Não é um fim, é o início de um novo ciclo”, afirmou o treinador, que considera seu trabalho de 13 meses à frente da seleção pentacampeã como positivo.
Ancelotti acrescentou: “O futebol é assim. Às vezes é preciso lidar com a tristeza de uma derrota. Estamos acostumados com isso e vamos transformar essa derrota em um novo impulso para o trabalho e para a evolução dos jogadores”.
Ele foi o quarto treinador neste ciclo que se encerra, que teve Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior. Nenhum conseguiu trazer consistência à seleção, resultando na pior campanha da história nas Eliminatórias.
Embora Ancelotti esteja confirmado, sua comissão técnica passará por modificações. Seu filho, Davide Ancelotti, assumirá o comando do Lille, da França, e deixará o cargo de auxiliar. O preparador de goleiros, Taffarel, também pode sair, pois houve críticas internas quanto à condução da lista de goleiros e à falta de renovação.
A manutenção do coordenador de seleções, Rodrigo Caetano, não é garantida, embora ele já esteja projetando o próximo ciclo. “Tenho de olhar mais para frente com esperança e expectativa que a gente tenha um ciclo mais normal, dentro daquilo que é ideal para o futebol e para o esporte de alto rendimento, que é você planejar com mais tempo e com mais calma”, destacou Caetano.
Ancelotti demonstra entusiasmo com a oportunidade de liderar a renovação em um ciclo completo. Serão quatro anos em que ele busca realizar uma profunda oxigenação no elenco que não foi feita em 13 meses, com a possível volta de atletas como Casemiro, de 34 anos.
Jogadores como Marquinhos, Danilo, Alex Sandro e Neymar não estarão na próxima Copa, mas ainda podem fazer parte da equipe por mais alguns meses antes de passar o bastão. “Temos que assumir essa culpa para que as próximas gerações possam ter tranquilidade para trabalhar”, reconheceu o capitão Marquinhos.
As observações de novos jogadores para o ciclo de 2030 começaram durante a preparação para a Copa do Mundo de 2026. Jovens como o lateral-esquerdo Kaiki Bruno, de 23 anos, do Cruzeiro, e o zagueiro Vitor Reis, de 20 anos, que pertence ao Manchester City, foram convocados para amistosos e estão na pré-lista para o Mundial da América do Norte, devendo ter chances no novo ciclo.
O jogador Rayan, de 19 anos, também foi convocado para um amistoso, e sua boa atuação fez com que Ancelotti decidisse antecipar sua utilização, levando-o para 2026. O mesmo ocorreu com Endrick. As lesões de Rodrygo e Estêvão também influenciaram essa decisão.
Outro zagueiro que deve aparecer nas primeiras convocações é Natan, de 25 anos, ex-Flamengo e Bragantino, atualmente no Bétis. Ele foi uma das surpresas na pré-lista da Copa. Gabriel Sara, de 27 anos, do Galatasaray, também teve chance em listas pré-Copa e pode continuar sendo observado.
Ancelotti recomeça o trabalho em setembro, com os primeiros amistosos do Brasil já visando a Copa do Mundo de 2030, que será disputada na Espanha, Portugal e Marrocos. Dois jogos estão marcados contra a Austrália, nos dias 25 e 29 de setembro, em Townsville e Brisbane, respectivamente.

