O leilão da SAF ocorre às 14h, na Zona Oeste do Rio, em audiência fechada presidida pela Justiça. A Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, é a única apta e atua como 'stalking horse', com prioridade.
O leilão para a venda da SAF do Vasco está marcado para esta sexta-feira, às 14h, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Faria Lamacchia, é a única interessada considerada apta no processo e deve ser confirmada como compradora.
📖 Leia Também
As propostas serão abertas em audiência fechada presidida pela Justiça, com a presença do Vasco e de outros interessados. Apesar de haver apenas um interessado apto, o clube é obrigado por lei a abrir as ações da SAF para leilão. A Almirante aparece no edital como “stalking horse bidder”, garantindo o direito de fazer a primeira oferta — precificando a SAF e evitando valores abaixo do desejado — e a preferência de igualar qualquer outra proposta que o Vasco venha a receber.
“Esperando a justiça liberar o leilão para podermos transformar o Vasco”
O eventual sucesso do leilão na audiência desta sexta-feira não quer dizer, no entanto, que Lamacchia assumirá imediatamente o comando da SAF vascaína. O processo ainda depende de etapas internas do clube e de análise de órgãos reguladores.
Após a etapa judicial, a venda precisará ser aprovada pelo Conselho Deliberativo do Vasco e, em seguida, pela Assembleia Geral Extraordinária dos sócios. Há também uma investigação em andamento na Anresf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol) para avaliar possível conflito de interesses na negociação, em razão de Marcos Lamacchia ser enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Se houver aprovação da Anresf e dos conselheiros e sócios do Vasco, o negócio será concluído.
Internamente, não há prazo estabelecido para essas deliberações, mas existe a expectativa de uma resposta rápida da agência.
Garantias e recursos
Para cumprir as garantias exigidas pelo edital, a Almirante Participações depositou nesta semana R$ 27 milhões — montante equivalente a dois anos do pagamento previsto na Recuperação Judicial. A exigência visou cobrir créditos da RJ que venceriam durante o período e resguardar o clube quanto à segurança trabalhista.
No início do mês, a Justiça aprovou um empréstimo de R$ 150 milhões da Almirante ao Vasco no formato DIP (para empresas em recuperação judicial). Desse valor, o clube utilizou R$ 65 milhões no começo deste mês para pagar premiações ao elenco e quitar parcelas da Recuperação Judicial. Os R$ 85 milhões restantes não têm prazo definido para serem depositados, ficando à disposição do Vasco quando houver necessidade ou solicitação.
Contestações judiciais
Ao longo do processo, houve tentativas de travar a venda. Em maio, a Matix Capital, que atuou como consultora na operação com a 777 em 2022, chegou a penhorar ações e obteve decisão na Justiça que exigia autorização prévia para nova venda, decisão que depois foi derrubada. Na última quarta-feira, o escritório Campos Mello cobrou R$ 740 mil da 777 Carioca e pediu o bloqueio do leilão e das ações; um dia depois, a ação foi desistida.
A Almirante Participações acompanha e monitora os desdobramentos processuais. Os dois processos são apresentados como desafios relacionados à 777, e a companhia de Lamacchia observa de perto para verificar eventuais obstáculos à negociação. Recentemente, Vasco, clube social e 777 chegaram a um acordo para encerrar a disputa judicial, e a 777 pediu a retirada de um recurso da pauta do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro; na prática, a 777 está abrindo mão da disputa que originou o impasse.
Com esses movimentos, a Almirante Participações se considera resguardada contra eventuais problemas jurídicos ou cobranças envolvendo a 777 que possam surgir nas próximas semanas.
“Não tem como Sosa e Colidio sentirem a pressão”

