Executivos no evento Mercado & Opinião afirmam que agentes de IA que pesquisam fornecedores, comparam propostas e fecham compras autonomamente vão alterar o comércio. Guilherme Horn (Meta) frisou ganhos na comunicação.
A adoção de agentes de inteligência artificial (IA) que podem pesquisar fornecedores, comparar propostas, negociar contratos e concluir compras de forma autônoma deve transformar a dinâmica das relações comerciais nos próximos anos. Essa foi a principal avaliação de executivos durante um evento do Mercado & Opinião, realizado em São Paulo nesta terça-feira (28).
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Guilherme Horn, head do WhatsApp para Mercados Estratégicos na Meta, afirmou que trabalhar com ferramentas desse tipo “leva o processo de comunicação para um patamar mais confortável”. Ele ressaltou que “os agentes de IA potencializam isso. Para as empresas e seus consumidores, o impacto é ainda maior. Com os agentes, as empresas podem atender de forma ilimitada, isso impacta significativamente os negócios. Daqui dois anos, estimo que o uso de IA nos negócios será unânime”.
Fernando Yunes, vice-presidente Executivo de Commerce do Mercado Livre na América Latina e líder da empresa no Brasil, destacou que o principal benefício da IA neste momento é a garantia de eficiência para a atividade operacional e de governança. “Os investimentos em IA já são recorrentes, agora o foco é otimizar esse uso, deixar ele mais adequado com inteligência e gestão. O uso precisa agregar valor frente ao custo que é elevado e a tendência é de aumento dessas tecnologias no e-commerce”, ressaltou.
Júnior Borneli, CEO da Startse, enfatizou a mudança dos processos de venda com a tecnologia. “A IA é um tema que domina a estratégia das empresas. Todo o processo de decisão de compra e geração de valor passa por processos relevantes. Hoje precisamos debater a otimização desses processos para fazer marketing diferente de tudo o que já se viu”, afirmou. Ele complementou: “Hoje é preciso entender como os agentes de e-commerce atuam dentro dos algoritmos da IA”.
Esse processo de transição deve trazer maior eficiência, experiência e personalização dos produtos para consumidores, além de permitir o surgimento de novas possibilidades de negócios, segundo César Gon, CEO da CI&T.
O modelo, conhecido como “Agentic Commerce”, pode movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em transações globais até 2030, conforme estimativa da consultoria McKinsey. Diferentemente de ferramentas tradicionais de automação, os agentes inteligentes executam etapas completas de processos de compra e tomada de decisão com base em critérios previamente definidos por pessoas ou empresas. A proposta é reduzir o tempo entre a identificação de uma oportunidade e a execução de uma ação.
Marcos Koenigkan, fundador do think tank Mercado & Opinião, ressaltou que a principal mudança provocada pela tecnologia está na velocidade com que as empresas conseguem transformar informações em decisões. “As organizações passaram décadas competindo por escala, estrutura e capacidade de execução. Agora, começam a competir também pela velocidade das decisões. Quem transformar conhecimento em estratégia com mais rapidez terá uma vantagem difícil de alcançar”, afirmou.
Na perspectiva de Koenigkan, a inteligência artificial não substitui o papel estratégico das lideranças, mas transfere atividades operacionais para as máquinas, permitindo que profissionais concentrem esforços na definição de prioridades e na interpretação de cenários de negócios. O desafio das organizações será adaptar seus processos a um ambiente em que agentes de IA passam a participar das decisões comerciais, aponta Paulo Motta, sócio do Mercado & Opinião em São Paulo. “A inteligência artificial amplia a capacidade de resposta das empresas, mas não substitui a experiência de quem conhece o mercado. As organizações que conseguirem unir estratégia, capacidade de adaptação e velocidade estarão mais preparadas para crescer em um ambiente de mudanças cada vez mais rápidas”, disse.

