Diretoria do Guarani encara nova leva de processos trabalhistas movidos por ex-jogadores e funcionários do futebol, pressionada pela crise financeira. O aumento reacende temores institucionais vistos em 2019.
A severa instabilidade financeira vivenciada pelo Guarani em 2026 reabriu uma ferida institucional que parecia contornada nos bastidores do Brinco de Ouro. O clube voltou a lidar com uma onda expressiva de ações trabalhistas movidas por ex-jogadores e profissionais do departamento de futebol, ligando o sinal de alerta na diretoria e reacendendo temores que não se manifestavam com tal intensidade desde 2019.
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Desde a transição administrativa em 2019, quando nova diretoria sucedeu a anterior no Conselho de Administração, o Bugre vinha obtendo uma redução drástica no volume de litígios jurídicos iniciados por atletas e técnicos. Nos últimos anos, os processos movidos contra a agremiação eram tratados de forma isolada, não ultrapassando duas ou três ações por temporada.
Principais ações trabalhistas
- Emerson Júnior — parte do grupo que recorreu à Justiça do Trabalho para cobrar obrigações em aberto.
- Ynaiã — lateral-direito incluído nas ações mencionadas em autos recentes.
- Diego Torres — meia que integra o conjunto de ex-jogadores que acionaram a Justiça.
- Isaque — outro meia cujos pedidos constam nas petições iniciais.
- Gabriel Silva — atacante citado como membro do grupo que move ações contra o clube.
Somando apenas os pedidos formulados por Emerson Júnior, Ynaiã, Diego Torres e Isaque, o montante exigido nos autos alcança a expressiva cifra de R$ 4.411.176,30, valores pleiteados nas petições iniciais que ainda dependem do trânsito e julgamento do mérito judiciário.
Ação do treinador
- Élio Sizenando — desligado do cargo no final de agosto, ingressou com ação na 7ª Vara do Trabalho de Campinas, cobrando R$ 233.044,45, alegando pendências em um mês de salário, débitos do FGTS e verbas rescisórias proporcionais.
A derrocada no fluxo de caixa do Guarani se intensificou a partir de junho, reflexo direto do impasse jurídico que determinou a refazenda do pleito eleitoral de dezembro por descumprimento do estatuto. A anulação e reinício do processo atrasaram os ritos para a implementação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), travando aportes financeiros previstos no orçamento anual e deixando o clube vulnerável diante da insuficiência das cotas e patrocínios tradicionais.
Internamente, a diretoria admite que novos processos podem ser distribuídos nos próximos dias diante do atraso nos salários em carteira e direitos de imagem. Toda a esperança da cúpula alviverde para estancar a sangria financeira está depositada na votação da proposta de SAF formulada pelo empresário Roberto Graziano, marcada para o dia 19 de novembro.
Paralelamente, o executivo de futebol Carlos Frontini tenta adiantar o planejamento do elenco para 2027, embora sua própria continuidade dependa do modelo de gestão que o futuro investidor decidir adotar após a transição societária.

