A Uefa (Europa), a AFC (Ásia) e a Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) formaram um bloco de oposição ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, com a publicação de uma carta conjunta que critica sua gestão. O movimento cria uma frente viável para a próxima eleição da entidade, marcada para março, no Marrocos.
Somadas, as três confederações representam 136 votos no Congresso da Fifa, órgão responsável pela escolha do presidente — número mais do que suficiente para eleger um novo mandatário. Há, porém, dissidências, e Infantino ainda conta com o apoio de algumas associações.
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Atualmente, a Fifa tem 211 associações-membros, todas com direito a voto e peso equivalente. Para eleger um presidente, é necessária maioria simples, ou seja, 106 votos. O voto é secreto, o que pode influenciar as decisões.
As associações da Uefa parecem atuar de forma coesa, ao contrário da AFC e da Concacaf, que já apresentam divisões internas. O México, um dos anfitriões da Copa do Mundo deste ano, manifestou apoio a Infantino, assim como o Catar e outros países do Oriente Médio. Por outro lado, a Jordânia, representada pelo príncipe Ali bin Al Hussein, se destaca como crítica da administração.
A AFC havia apoiado Infantino em sua candidatura à reeleição, em abril, mas a crise gerada pela proposta de criação de uma empresa com capital privado para reunir os direitos comerciais da Fifa afastou parte das associações.
Entre as confederações que seguem leais a Infantino estão a Conmebol e a CAF (Confederação Africana de Futebol), que juntas somam 64 votos. A OFC (Oceania) ainda não se posicionou oficialmente.
O processo eleitoral começa em 19 de novembro, quando se encerra o prazo de inscrição de chapas — cada candidato precisa do apoio formal de pelo menos quatro associações. A eleição ocorrerá no Congresso da Fifa, em Rabat, no Marrocos, em março do próximo ano. Até agora, Infantino é o único candidato declarado e busca o terceiro mandato, que, pelo estatuto, seria o último.
Um possível rival é Victor Montagliani, presidente da Concacaf e signatário da carta conjunta. O documento não cita Infantino pelo nome, mas critica a forma como foi conduzida a criação de uma subsidiária da Fifa.
“A força do futebol sempre foi a sua união. Apelamos para que essa união seja honrada agora, em favor de uma liderança que sirva o futebol, e não que busque controlá-lo”, afirmam as três federações.
Na semana anterior, a Conmebol divulgou nota manifestando preocupação com as ações dos opositores, chegando a caracterizá-las como um possível golpe, ainda que em linguagem mais formal.
Segundo veículos internacionais, a Uefa teria tentado coletar assinaturas para convocar um Congresso Extraordinário e votar a destituição de Infantino, ação que, até o momento, não se concretizou.



