Zidane assume a seleção francesa já com desafio fora de campo: administrar o atrito entre Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé após declarações sobre a Bola de Ouro. Precisa pacificar o grupo antes das convocações.
A era de Zinédine Zidane na seleção francesa começa marcada por um desafio extra-campo. Além das escolhas técnicas para a primeira convocação, o novo treinador terá de lidar com o ruído entre Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé, provocado por uma troca de declarações a respeito da Bola de Ouro.
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Dembélé é o atual vencedor da Bola de Ouro e teve a temporada do Paris Saint-Germain coroada com o prêmio. A situação ganhou repercussão depois de uma declaração de Mbappé em entrevista à revista especializada, na qual o atacante do Real Madrid afirmou que Dembélé sempre foi visto como um jogador de muito talento, enquanto ele próprio carregava desde cedo o rótulo de “escolhido”. Dias depois, Dembélé respondeu usando a mesma expressão, o que amplificou o episódio na imprensa francesa.
“Nunca fui o escolhido. Trabalhei e fui recompensado.”
A reação foi interpretada por analistas e jornalistas como uma atitude deliberada de Dembélé para marcar posição diante de um rival que ao longo da carreira ocupou maior espaço no futebol francês. Tom Williams, jornalista e especialista em futebol francês, destacou a surpresa com a réplica e o efeito da repetição das palavras de Mbappé.
“As pessoas estão falando sobre isso na França. Houve surpresa ao ver Dembélé reagir ao que Mbappé disse da maneira como fez. Pareceu uma decisão muito deliberada usar exatamente as palavras que Mbappé havia usado alguns dias antes.”
Williams acrescentou que a resposta de Dembélé também pode ser vista como uma tentativa de não ficar à sombra do atacante do Real Madrid.
“Acho que é um sinal de que Dembélé não quer ficar à sombra de Mbappé. Uma pequena lembrança de que ele é o vencedor da Bola de Ouro e de que, apesar de ter tido uma trajetória diferente da de Mbappé, é um vencedor totalmente legítimo do prêmio.”
Outra leitura sobre o episódio vem do correspondente do Canal+ no Brasil, Stéphane Darmani, que comparou a postura de Mbappé a uma estratégia de campanha, em busca do primeiro troféu individual da carreira.
“O único ponto negativo é essa polêmica Mbappé e Dembélé. É claro que isso está dando o que falar… Mas parece que nessa corrida à Bola de Ouro ele está entrando como se fosse uma campanha política, dando entrevistas e trazendo argumentos para o lado dele.”
Darmani também ressaltou as críticas que Mbappé vem recebendo na França e citou que as declarações repercutiram em outras figuras do futebol europeu, ampliando o debate sobre legitimidade e conquistas individuais.
Na preparação para o confronto com a Turquia, Mbappé será o capitão da França, mas não foi escalado para a coletiva de véspera; Adrien Rabiot foi o escolhido para falar com a imprensa, em decisão da comunicação da seleção para tentar evitar novos ruídos. Zidane, que assumiu o lugar de Didier Deschamps e iniciou na última sexta-feira um novo ciclo na seleção, terá assim a missão de administrar um elenco repleto de estrelas e encontrar um caminho para preservar o equilíbrio do grupo.



